Porto Alegre, 15 (AE) - O professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Mário Toscano Brito Filho, disse hoje que a intenção do governo gaúcho de transformar o Rio Grande do Sul em área livre de transgênicos é "extremamente válida, justa e adequada". Ele comentou que a decisão foi tomada no sentido de "preservar" a população "das possibilidades de risco para a saúde humana" e que é "dever do Estado proteger seus cidadãos".
Embora a considere correta "na finalidade", Brito Filho fez ressalvas ao desejo do governo de proibir completamente o plantio de produtos geneticamente modificados no Estado. "Talvez fosse mais adequado montar um projeto vinculando a atuação das empresas a investimentos em controle de risco", disse, durante conferência sobre as questões éticas da manipulação genética na 51ª Reunião Anual da SBPC, em Porto Alegre. O projeto de lei de autoria do deputado estadual Elvino Bohn Gass (PT), que proíbe o plantio e comercialização de produtos transgênicos, deverá ser votado no segundo semestre.
Em sua conferência, o professor recorreu ao filósofo alemão Karl Popper para enfrentar uma platéia resistente ao plantio de transgênicos. "O conhecimento totalmente seguro é uma quimera; todo conhecimento científico é provisório e somente na fé subjetiva podemos estar totalmente seguros", citou. Na opinião de Brito Filho, o excesso de prudência e conservadorismo no presente em relação ao tema pode eliminar a possibilidade de se enfrentar com maior eficácia ameaças futuras como a fome. De acordo com ele, o melhoramento genético de alimentos já é praticado há muito tempo. Como exemplo citou os trabalhos com o trigo realizados no Oriente Médio há 10 mil anos.
O especialista disse que a legislação de biossegurança do País é "moderna" e que a CTNBio faz "todos os esforços" para garantir o seu cumprimento. Até agora, segundo ele, desde a sua constituição, em 1995, a comissão já emitiu 112 certificados de qualidade em biossegurança, sendo 79 para universidades e 33 para empresas privadas. Também aprovou duas operações de importação e uma liberação comercial, referente às cinco variedades de soja resistentes ao herbicida Roundup Ready da Monsanto.

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