Belo Horizonte, 06 (AE) - O deputado estadual mineiro Washington Rodrigues (PDC), o sargento Rodrigues, segundo mais votado do Estado e um dos líderes do movimento grevista da PM, em 1997, está sendo ameaçado de expulsão da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa (ALMG). A imprensa local divulgou, esta semana, a ficha funcional do sargento, excluído da PM pouco depois da greve. O documento demonstra que o policial foi alvo de uma série de sindicâncias por uso de violência e abuso de autoridade em ação quando comandava uma unidade tática móvel (Rotam), pelas ruas da capital, entre 1989 e 1991.
O presidente da Comissão, João Leite (PSDB), defendeu o imediato afastamento do colega. A justificativa é que, em razão de seu "currículo como policial", ele jamais poderia fazer parte de uma instância que trata de direitos humanos.
Rodrigues afirmou hoje que o surgimento das denúncias - "todas devidamente registradas e apuradas "ou até prescritas" -, representa "uma orquestração do comando da PM" para desestabilizá-lo. "Todos sabem que o comando quer me prejudicar porque lutei pela democratização do regimento interno da PM e ainda estou brigando pela anistia de dezenas de policiais excluídos depois da greve de julho de 1997", disse.
Rodrigues defendeu-se de uma das acusações de abuso e truculência. Há cerca de 10 anos, ele e outros policiais teriam espancado frequentadores de um bar, na periferia da cidade, durante uma blitz. "O que eu não posso permitir é que, numa abordagem policial, a gente chegue ao ponto de ter de pedir pelo amor de Deus para que um cidadão mostre os documentos ou que te dê a droga que ele carrega", disse. "Temos que fazer abordagens enérgicas, com segurança", completou. O ex-sargento garantiu que não irá se afastar voluntariamente da Comissão de Direitos Humanos. Ele só pretende fazer isso se os deputados decidirem investigar as denúncias.

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