O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) anunciou ontem o desenvolvimento de uma membrana para ser usada em queimaduras de 1º e 2º graus, feita com 90% de água. O novo curativo é inspirado em um produto semelhante, desenvolvido na Polônia. Mas, segundo o engenheiro do Ipen Ademar Lugão, o material brasileiro traz várias vantagens: por causa de sua maior elasticidade e maciez, ele ajuda a diminuir as dores provocadas pela queimadura.
Feito com 10% de polímeros e água, o material é exposto à radioatividade. Com uma sessão, é estabelecida a ligação química das moléculas e a esterilização do curativo. ‘‘Além de reduzir a dor, esse novo material absorve fluídos produzidos pela ferida e permite a entrada de oxigênio e a colocação de drogas, como antibióticos, sem necessidade de se retirar o curativo’’, diz Lugão.
O curativo poderá também ser usado em escaras, em cirurgias. A previsão é de que, dentro de algum tempo, o produto seja empregado também para pequenos curativos.
Estudos laboratoriais demonstram que o novo curativo não apresenta nenhuma contra-indicação. No entanto, ainda é necessária a realização de testes clínicos. Uma das pesquisas será feita no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Segundo Carlos Fontana, médico do ambulatório de queimados, o estudo clínico será inciado em pouco tempo.
Assim que os testes terminarem, o produto, batizado de Hidrogel, deverá começar a ser comercializado. Hoje o laboratório Biolab firmou um contrato com o Ipen para colaboração comercial. Segundo o diretor da empresa, Dante Alario Júnior, serão investidos U$ 2 milhões no projeto. Segundo ele, o preço do Hidrogel será 30% a 40% menor do que as membranas já existentes no mercado.

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