Rio de Janeiro, 07 (AE) - Quando tinha cerca de 22 anos, Murilo Melo Filho assistiu a algumas cerimônias de posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) e fez uma promessa a si mesmo: "quem sabe, um dia, chegarei aqui". A jura foi cumprida. Hoje à noite, Melo Filho tomou posse na sede da ABL, no centro do Rio de Janeiro.
A cerimônia contou com a presença, entre muitos convidados, do Cardeal Arcebispo do Rio, Dom Eugenio Sales, e do Prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde.
Em seu discurso de agradecimento, o jornalista lembrou do sonho que cultivou durante este tempo todo. "Há 50 anos anos ambiciono esta Academia", confessou. Ele foi eleito em março para cadeira número 20, cujo patrono é o escritor Joaquim Manuel de Macedo. Murilo Melo Filho nasceu em Natal, onde começou muito jovem a carreira de jornalista. Aos 18 anos veio tentar a sorte no Rio de Janeiro. Trabalhou no Correio da Noite, no Jornal do Commercio, nO Estado de S. Paulo, na Tribuna da Imprensa, além das tevês Rio e Manchete, quando conheceu Adolpho Bloch, que se transformou em um grande amigo.
"Sinto uma saudade imensa dele (Bloch) e de Juscelino Kubitschek", comenta. "Acho que eles ficariam muito felizes de ver a minha posse na ABL", disse.
Em 50 anos de carreira jornalística, Melo Filho teve a oportunidade de presenciar fatos importantes como as guerras do Vietnã, em 1967, e a do Camboja, em 1972. Encontrou-se com alguns dos líderes políticos das últimas décadas.
"Sem dúvida, estive com os principais homens que escreveram a história do mundo neste meio século", lembra, citando inúmeros nomes como John Kennedy, Richard Nixon, passando por Golda Meir, Che Guevara e Fidel Castro, entre outros.
Aos 70 anos, casado, pai de três filhos e avô de três netos, Melo Filho diz que está entrando na hora certa para a galeria de imortais.
"Nem muito cedo, nem muito tarde; nem muito moço, nem velho ainda", brinca. "Acho que é a idade ideal e adequada para aproveitar o que a ABL tem a oferecer", pensa. Na eleição, Melo Fillho recebeu 24 votos, enquanto o seu concorrente, o Embaixador Alberto da Costa e Silva, ganhou 14. "Tivemos um duelo democrático, do mais alto nível", observa.
Autor de dez livros, entre eles "O desafio brasileiro", traduzido para o inglês e para o espanhol, e que só no Brasil vendeu mais de 85 mil exemplares, Melo Filho nutre muitas expectativas com relação ao trabalho de acadêmico. "Tenho esperança de que vou poder ajudar a executar os fabulosos projetos da Academia", diz.

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