Mello pede a Brindeiro que analise remessas de Dornelles, Bezerra e Rezende
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 05 (AE) - O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que se analise as supostas remessas de dinheiro ao exterior, por meio de contas CC5, que teriam sido feitas pelos ministros Francisco Dornelles (Trabalho) e Fernando Bezerra (Integração Nacional) e pelo senador Íris Rezende (PMDB-GO). As contas CC5 são instrumentos por meio dos quais qualquer um pode remeter dinheiro ao exterior. A operação é ilegal se a pessoa não tiver renda que justifique o montante da remessa.
Se Brindeiro considerar que existem indícios de que as autoridades realizaram operações ilegais, ele poderá pedir a instauração de um inquérito contra os ministros e o senador. Mas o procurador poderá pedir o arquivamento do caso, se entender que não há indícios de irregularidade. Ele também poderá optar por uma solução intermediária, determinando a realização de mais investigações.
As investigações que apuraram as supostas remessas de dinheiro ao exterior foram realizadas pelo Ministério Público Federal (MPF). No período de 1992 a 1998, excluídas as remessas de valor inferior a R$ 150 mil, foram transferidos por meio das contas CC5 mais de R$ 124 bilhões. O valor das supostas operações realizadas pelos dois ministros e pelo senador não foi revelado no despacho de Mello.
"Estou impressionado e indignado como, de uma maneira equivocada, pode-se manchar o nome de uma pessoa", protestou Bezerra. Ele afirma que nunca mandou dinheiro por interesses particulares para o exterior. Mas disse que, como presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), assinou algumas transferências para pagamento de despesas com encontros entre entidades do setor, por exemplo. "Mas quem remete é a instituição e não Fernando Bezerra", esclareceu. Rezende também negou que tivesse remetido dinheiro ao exterior por meio de contas CC5. Ele afirmou que não realizou esse tipo de operação nem quando ocupava o Ministério da Justiça. "Naquela época, assinei apenas um convênio no exterior, com o governo francês, mas que não envolvia remessa de dinheiro", disse o senador. A assessoria de Dornelles não conseguiu o achar até as 21h25.


