Brasília, 29 (AE) - Não é apenas em julgamentos de ações judiciais que o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mendes de Farias Mello, é voto vencido. Hoje, ele foi o único dos 11 integrantes do STF a aceitar o auxílio-moradia garantido pela liminar concedida no domingo (27) pelo ministro Nelson Jobim. Nem as pressões do presidente do Supremo, ministro Carlos Velloso, para que Mello desistisse do benefício fizeram com que ele recuasse. "Nós vivemos numa democracia", justificou o ministro.
Casado com a juíza de Direito do Distrito Federal Sandra de Santis Mello, o vice-presidente do STF brinca com as consequências domésticas da decisão de Jobim. O reajuste da mulher será superior ao dele em cerca de 600 reais: "Vou perder a minha autoridade remuneratória em casa."
Farias Mello participou das articulações sobre a liminar juntamente com Jobim e Velloso. O Executivo foi consultado previamente sobre a decisão, enquanto outros integrantes do Supremo garantem que não foram ouvidos. Essa situação provocou constrangimento generalizado no tribunal. A seguir, trechos da entrevista concedida à reportagem, após a reunião na qual Farias Mello confirmou a intenção de receber o auxílio-moradia: Pergunta - Quanto o sr. receberá por mês com o auxílio-moradia? Marco Aurélio Mendes de Farias Mello - Vou receber R$ 12.720,00. Como ganho atualmente R$ 10.400,00, o acréscimo será de R$ 2.300 00. Pergunta - Sua mulher, que é juíza do Distrito Federal, também receberá o auxílio? Farias Mello - O reajuste dela será maior do que o meu. Ela terá um aumento de R$ 2.900,00. Vou perder a minha autoridade remuneratória em casa. Pergunta - Por que o sr. decidiu receber o auxílio-moradia? Farias Mello - O servidor não pode dizer que a viúva está mal e que quer trabalhar de graça. Pergunta - O sr. poderia explicar melhor sua decisão? Farias Mello - Nós vivemos numa democracia. Pelo menos minha postura empresta eficácia à decisão judicial.