Mellão promete acatar pedido da OAB
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domingo, 19 de março de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 20 (AE) - O presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo, Armando Mellão (PMDB), prometeu hoje acatar o pedido de impeachment aprovado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e remetê-lo para análise na Comissão Especial. "Não criarei problema algum para que as denúncias sejam analisadas no Legislativo", garantiu Mellão.
O Regimento Interno da Câmara concede ao presidente do Legislativo cinco dias de prazo para decidir se dá ou não andamento no pedido de impeachment, mas Mellão adiantou que não precisará usar o tempo do qual dispõe. "Vamos respeitar os procedimentos, o encaminhamento será imediato à entrega", disse o presidente da Câmara.
A base governista aguardava a decisão da OAB-SP para tomar uma posição em relação ao futuro do prefeito Celso Pitta (PTN). A bancada do PPB - composto por 10 parlamentares - continua fechada com o governo municipal.
"Vamos nos reunir amanhã (21), mas a tendência é sermos contra essa proposta", disse hoje o vereador Edivaldo Estima (PPB). Os vereadores do PMDB estão divididos, mas, em conversas reservadas, admitem que se a pressão aumentar não vão se desgastar por causa do governo municipal. "Se vier um fato, não teremos como resistir; mas se for apenas um relatório com base nas denúncias feitas pela dona Nicéa Pitta
poderemos discutir o assunto de outra forma", disse hoje Colasuonno. O vereador Bruno Feder (PTB) admitiu que há risco de "algum pedido de impeachment ser aprovado".
De acordo com Feder, o governo não está oferecendo "alternativas políticas" e a maioria dos vereadores está "desorganizada". A situação dos governistas ficou ainda mais delicada, porque o pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frangos está pendente de votação na Câmara.
O erro tático foi cometido pela vereadora Myryam Athie (PMDB). Como a preferência foi requerida por integrantes do bloco governista, a base de apoio a Pitta não sabe como fará para desfazer o erro em plenário. "Não vejo outra saída, senão discutir o impeachment e a CPI dos Frangos, porque com que cara votaremos contra uma preferência defendida por vereadores da nossa própria base?", questionou hoje o vereador Toninho Paiva (PFL). Os partidos de oposição - PT, PSDB, PSB, PC do B e PPS - prometem explorar a aparente desorganização dos governistas na sessão desta terça-feira (21).
A estratégia é garantir a admissão do pedido de impechment preparado pela OAB-SP e tentar aprovar a CPI dos Frangos e a que propõe a apuração das denúncias feitas por Nicéa Pitta. Os governistas haviam fechado questão contra a abertura de uma nova investigação na Câmara.
Ele alegavam que, por se tratar de ano eleitoral, a CPI seria apenas um palanque para os partidos de oposição. "Não achamos justo permitir um palanque desse para o PT, portanto fechamos questão contra a CPI", afirmou recentemente o secretário estadual do PTB, deputado Campos Machado.
Depois que a OAB-SP aprovou por unanimidade o pedido de impeachment contra o prefeito Celso Pitta, o secretário do Governo Municipal, Carlos Meinberg, convocou reunião urgente para as 11 horas de amanhã (21) com os vereadores da base governista. Até o início da noite, os parlamentares diziam não saber o local do encontro.


