Mellão pede a Petreluzzi informações de investigações
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 06 (AE) - O presidente da Câmara de São Paulo
Armando Mellão (sem partido), reuniu-se hoje com o secretário de Segurança Pública do Estado, Marco Vinicio Petrelluzzi. Mellão pediu ao secretário maiores informações sobre as investigações no caso envolvendo os vereadores Maria Helena (PL) e Salim Curiati (PPB). Segundo ele, detalhes do inquérito policial aberto para investigar o caso são importantes para que o Legislativo tome uma posição definitiva sobre o assunto.
"As informações são importantes para tomarmos as providências cabíveis", justificou o presidente da Câmara. Segundo ele, até o momento, não ficou definido, por exemplo, o papel de cada parlamentar na história. "Não sei se há culpado e
caso haja, quem é", justificou.
De acordo com o presidente, conforme os resultados das investigações policiais, a Câmara pode abrir uma comissão processante (CP), caso algum vereador tenha faltado com o decoro parlamentar, ou mesmo uma comissão parlamentar de inquérito (CPI). "Se houver mais vereadores envolvidos na história, a CPI será inevitável." Mellão refere-se aos documentos apreendidos na quarta-feira (04) na casa de Maria Helena. Segundo análise preliminar de promotores e policiais que investigam o caso, há a hipótese de alguns papéis que forem achados envolverem mais parlamentares em irregularidades administrativas.
A reunião foi às 11h30, na sede da Secretaria de Segurança Pública, em Higienópolis, região central, e durou cerca de meia hora. Além de Mellão, compareceram os vereadores Devanir Ribeiro (PT), Pierre de Freitas (PSDB) e Anna Martins (PC do B), que também integram a Mesa Diretora.
Também foi pedido reforço na segurança dos vereadores. A justificava seriam as ameaças de morte contra alguns parlamentares, como Curiati. Atualmente, 53 policiais militares são responsáveis pela segurança do Palácio Anchieta, sede do Legislativo municipal.
Petrelluzzi informou que, na medida do possível, as informações sobre o inquérito policial que investiga o caso, conduzido pela equipe do delegado Romeu Tuma Júnior, serão repassadas à Câmara. "Em determinados momentos, várias informações são mantidas em sigilo para não comprometer as investigações", explicou o secretário.
Petrelluzzi lembrou que os inquéritos policiais são abertos para consulta por qualquer advogado, conforme prevê o estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na próxima semana, a Mesa Diretora deve designar um advogado da Câmara para acompanhar o andamento do inquérito, no Departamneto de Investigações e Registros Diversos (Dird).
Petrelluzzi também irá analisar a possibilidade de destacar mais policiais para a segurança de parlamentares. "As ameaças podem ser apenas um meio de intimidar os vereadores, mas vamos ver o que é possível fazer", completou Petrelluzzi.
"Se a imagem da Câmara estava arranhada, agora está machucada", disse Ribeiro, sobre o episódio. "Essa novela tem alguns capítulos que não chegaram para a gente", disse Mellão.


