São Paulo, 30 (AE) - Depois de algumas semanas de silêncio após uma nítida reaproximação com prefeito Celso Pitta (sem partido), o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Armando Mellão (sem partido), quebrou o silêncio hoje e disse acreditar que o Legislativo encerrou o primeiro semestre com saldo favorável. "A Câmara produziu muito e deu uma resposta à sociedade, mas esse é apenas o início do processo e ainda podemos melhorar muito", afirmou. Mellão, que foi eleito no fim do ano passado com 36 votos, derrotou o candidato do governo municipal - o vereador Wadih Mutran (PPB).
Nos primeiros meses deste ano, o vereador tentou incorporar a imagem de austeridade e imparcilidade. Chegou a conduzir o plenário com atitudes mais próximas dos partidos da oposição ao Executivo, que o ajudaram a eleger-se. Garantiu ao PT a primeira secretaria na Mesa Diretora da Câmara e, ao PSDB, a presidência das comissões de Política Urbana e da de Constituição e Justiça. Nos bastidores, criou condições para que o impeachment de Pitta chegasse a ser discutido em plenário. De repente, mudou e passou a ser criticado pela oposição. Em seguida, surgiram os boatos de que, ao percerber-se isolado, mudou de posição e aproximou-se novamente do Executivo.
Os boatos evoluíram e os próprios vereadores governistas passaram a comentar que Mellão teria acertado a futura indicação para a Secretaria Municipal de Serviços e Obras. Ele nega tudo. "Cumpri todos os acordos com a oposição, não tenho esquema nenhum com o governo municipal e desafio alguém a provar essas fofocas; não mudei nada", afirmou o presidente da Câmara. "Decido, como sempre decidi, em favor da maioria", justificou. A seguir, os principais trechos da entrevista. Pergunta - Qual o balanço que o senhor faz do primeiro semestre na Câmara Municipal? Armando Mellão Neto - Produzimos muito e demos uma resposta aos anseios da sociedade. A Câmara cassou o mandato de um vereador considerado culpado de irregularidades, está processando outros e um deputado estadual foi punido também com base nas investigações feitas pela Câmara. Acho que temos de melhorar e podemos melhorar sempre, mas creio que o saldo foi positivo e aposto que será ainda melhor no segundo semestre. Pergunta - Há várias semanas as bancadas da oposição estão criticando o senhor, lembrando inclusive acordos que o senhor assumiu à época da sua eleição para a presidência da Câmara Municipal. Mellão - O acordo que assumi foi totalmente cumprido. O PT tem um importante cargo na Mesa Diretora, o PSDB tem a presidência de duas Comissões Permanentes, aliás uma das mais importantes que é a de Constituição e Justiça. Então, não têm nada o que criticar. Se houve questionamentos em relação ao Regimento Interno, isso só ocorreu porque há pontos que não são suficientemente claros. Pergunta - E o "golpe" ratificado ontem, que acaba com os mecanismos de oposição dos partidos contrários ao governo municipal? Mellão - O presidente tem de decidir pelo caminho trilhado pela maioria dos vereadores e é isso o que tenho procurado fazer, sempre que possível. Particularmente, acho que as alteraçãoes feitas não são golpe algum e acredito que ajudará a aumentar a produção da Câmara. Pergunta - Mas, mesmo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais e os processos de cassação, a Câmara Municipal produziu muito mais do que no passado inteiro. Mellão - Então vamos melhorar ainda mais. Pergunta - Só a cassação do ex-vereador Vicente Viscome (sem partido) será suficiente para recuperar a imagem da Câmara? Mellão - Não. Foi o primeiro passo e um passo muito importante. Mas temos de continuar reduzindo despesas e procurar aprovar projetos de lei com qualidade. Pergunta - O senhor acha o que os vereadores José Izar (PFL) e Maeli Vergniano (sem partido) serão cassados, também? Mellão - Os processos estão em curso e prefiro não comentar antes do relatório final. Mas acredito que esse relatório será uma indicação. Pergunta - No início da sua gestão como presidente da Câmara, o senhor estava mais próximo do Executivo e depois afastou-se. Por que? Mellão - Todos sabem que a eleição ocorreu em desarmonia com o Executivo, que aliás tem o direito de preferir outro candidato. Tive a felicidade de ser eleito por 36 votos e o meu relacionamento com o governo municipal sempre foi cordial. Mas não tenho esquema nenhum com o governo, não combinei indicação de nenhuma secretaria municipal, embora ache legítima participação, mas realmente não participo e desafio qualquer um a provar o que comentaram recentemente. Pergunta - A forma de os vereadores fazerem política tem de mudar? Mellão - Acho que já mudou. Pergunta - O senhor não esteve recentemente reunido com o prefeito Celso Pitta? Mellão - Não. Pergunta - Tem certeza? Mellão - ...Há três semanas, mais ou menos, conversei com o prefeito. Mas foi sobre suplementação de verba para a Câmara.

mockup