Londrina – Com o receio de distorções nas divulgações dos dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2014), o Ministério da Educação (MEC) tem adicionado dados de contextualização das escolas participantes. Este ano, o órgão incluiu o indicador de permanência dos alunos nas escolas avaliadas. De acordo com Chico Soares, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o objetivo é minimizar possíveis maquiagens nos resultados.
No Paraná, das 11 escolas particulares melhores avaliadas, cinco tem Índice de Permanência na Escola (IPE) de 80%, considerado adequado pelo MEC. Duas estão na segunda melhor faixa, entre 60% e 80%. A última faixa de IPE, de menos de 20% de permanência, concentra três escolas, duas da região Oeste e uma do Noroeste. Neste caso, a taxa indica que grande parte dos alunos foi matriculada apenas no 3º ano do Ensino Médio.
A escola melhor avaliada do Estado, o Colégio Dom Bosco - Batel, de Curitiba, que atingiu 680,12 pontos, tem índice de permanência considerado baixo, de 20% a 40%. O coordenador pedagógico Cesar Greca, no entanto, não vê o índice como negativo. "Nós temos os nossos alunos, mas há sim um grande percentual que se transfere no último ano. Eles reconhecem nosso nível de excelência e querem uma preparação forte", analisa.
No ranking nacional, só seis escolas entre as 20 melhores têm taxas de permanência de 80%. Sete aparecem na faixa inferior a 20%. Segundo os organizadores do Enem, é nesta faixa que ocorrem as "maquiagens". Em uma das práticas identificadas, as instituições criam novas escolas com outros cadastros. Desta forma, fazem o recrutamento dos melhores alunos usados como vitrine para o grupo de ensino.
O percentual de alunos que prestaram o Enem também deve ser levado em consideração. Entre os 11 primeiros, o Colégio Marista, de Curitiba, foi onde o exame teve mais adesão. Foram 189 participantes, 94,03% do total. A adesão mais baixa, de 51,35%, foi no Colégio St James, onde 19 alunos prestaram o Enem.
Outro ponto que, segundo Costa, merece atenção, é o porte das escolas. A maioria dos colégios brasileiros que lideram a lista focam as pequenas turmas, de menos de 60 alunos. No Paraná, no entanto, a realidade é outra. Dos 11 melhores da rede privada, seis são considerados grandes, três pequenos e dois muito pequenos, com até 30 alunos. Entre as instituições com menos alunos está O Colégio Saint James, de Londrina.

ESTADUAIS
Longe das estratégias publicitárias, a adesão ao Enem nas escolas estaduais é menor que nas particulares. Das 11 melhores estaduais do Paraná, apenas duas tem índice maior ou igual a 90%. Sueli Lopes Braga, diretora do Colégio Estadual Newton Guimarães, de Londrina, segundo melhor avaliado no Paraná, disse que a dificuldade em atingir a totalidade dos alunos está, principalmente, nas turmas noturnas. Lá, 89,2% prestaram o exame. "São alunos que já trabalham e estão desmotivados com os estudos. São os mesmos que não vão fazer o vestibular", conta. "Nós incentivamos, mas nem todos se conscientizam que o estudo é a melhor forma de transformar a realidade", completa.

INDICADOR SOCIAL
No mesmo recorte de escolas, das 11 apenas uma não se enquadra nas faixas Alto e Muito Alto no Indicador de Nível Socieconômico: o Colégio Estadual Bom Jesus, em Marmeleiro (Sudoeste). A escola rural de apenas 18 alunos apresenta nível social Médio Baixo. A presença da escola no seleto grupo entre as melhores do Estado, no entanto, contrasta com a adesão. Apenas 55% dos alunos prestaram o exame. Os dados do Inep mostram que a taxa de participação de alunos do campo, no geral, é inferior aos da cidade. O Índice de Permanência na Escola é maior nas estaduais. Quatro escolas têm taxa de 80% ou mais, enquanto sete estão no grupo entre 60% e 80%.

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