Sevilha, 29 (AE) - Todos os atletas brasileiros que chegaram às finais no Mundial de Sevilha terão vaga assegurada na Olimpíada de Sydney, no ano que vem, independentemente dos índices a serem fixados pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Assim, Sanderlei Parrela e Claudinei Quirino, prata nos 400 e 200 metros, respectivamente, Eronildes Araújo, quarto nos 400 m com barreiras, e Maurren Maggi, oitava no salto em distância, estão pré-convocados para Sydney. Só não irão se estiverem contundidos ou fora de forma.
A decisão foi anunciada hoje, na Espanha, após reunião entre o presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, o chefe da delegação, José Figueiredo, e os técnicos Jayme Netto, Nélio Moura, Luiz Alberto de Oliveira e Dildemar Venâncio. Os treinadores foram encarregados de fixar uma tabela de índices de qualificação para a Olimpíada. "A certeza de que estão habilitados para a Olimpíada permitirá que esses atletas dediquem suas energias à preparação para a competição", afirmou Gesta.
Hoje, os brasileiros ficaram decepcionados com o quarto lugar na final do revezamento 4 x 100 m, apesar do tempo de 38s05, novo recorde sul-americano. O recorde anterior, de 38s17, era da equipe que foi medalha de bronze na Olimpíada de Atlanta, em 1996, com Arnaldo de Oliveira, Róbson Caetano, Edson Luciano e André Domingos.
"Eu acreditava numa medalha", explicou André Domingos da Silva, que fechou o revezamento, completado por Raphael Raymundo de Oliveira, Claudinei Quirino da Silva e Edson Luciano Ribeiro.
Segundo André, Estados Unidos e Inglaterra eram melhores que o Brasil. "Mas esperávamos superar a Nigéria", afirmou. "Faremos isso nos Jogos de Sydney."
O medalhista de prata nos 200 m, Claudinei, explicou que a equipe "sonhava com uma medalha". Mas valorizou a marca. "Acredito que o recorde foi um bom final de campeonato." Disse que o atletismo nacional tem trabalhado muito em cima da prova, "mas ainda poderemos melhorar".
Os dois atletas destacaram a boa coordenação na passagem dos bastões, o que foi decisivo para o recorde, segundo Claudinei.
Apesar do quarto lugar de hoje, o presidente da CBAt disse que os atletas e a comissão técnica do Brasil estão de parabéns pela campanha. O País ganhou duas medalhas de prata, com Claudinei, nos 200 m, e com Sanderlei Parrella, nos 400 m, além de ter ido às finais com Eronildes Nunes Araújo, nos 400 m com barreiras, e com Maurren Maggi, no salto em altura.
Gesta espera que os bons resultados dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em julho, e do Mundial de Sevilha ajudem na "renovação do contrato de patrocínio" - a CBAt tem o apoio da Telemar, atualmente. O ideal, segundo Gesta, seria um acordo de cinco anos para o próximo ciclo olímpico, até Atenas, em 2004.
Os dois medalhistas brasileiros permanecerão na Europa. Claudinei vai correr os meetings de Bruxelas, Bélgica (dia 1.º), o de Berlim, Alemanha (dia 8), e a final do Grand Prix, em Munique, Alemanha (dia 11). Sanderlei vai competir em Bellinzona
na Suíça (dia 1.º), e depois voltará para San Diego, nos Estados Unidos, onde treina e mora.

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