Brasília, 11 (AE) - O Ministério do Meio Ambiente suspendeu hoje todas as emissões de autorização para desmatamento na Amazônia Legal. Além disso, vai revisar as licenças já concedidas para verificar possíveis irregularidades. A medida foi tomada pelo ministro José Sarney Filho um dia depois da divulgação, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de informações apontando aumento do desmatamento na região e a menos de um mês do início do período de preparação do plantio. O governo também pretende intervir nos casos de desmatamentos em áreas acima de dois mil hectares.
De acordo com Sarney Filho a fiscalização será intensa e as irregularidades punidas pela Lei de Crimes Ambientais. O governo vai relacionar os líderes de desmatamentos na região Amazônica e suspender as autorizações concedidas. A medida deve causar polêmica, pois no final de março começam as derrubadas e queimadas para início do plantio.
Maior - O desmatamento na Amazônia pode ser bem maior do que o divulgado pelo Inpe, que prevê devastação em torno de 16,8 mil quilômetros quadrados em 1998. Segundo dados do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), em algumas regiões o satélite Landsat colheu imagens a 900 quilômetros de distância constatando apenas as derrubadas de corte raso. Mas a pesquisa feita em campo constatou que a alteração florestal é bem maior. "O impacto é superior ao que o Inpe anunciou", diz a bióloga Adriana Moreira, presidente do Ipam. "Eles revelam parte do real estado de degradação", acrescenta.
De acordo com Adriana,a floresta amazônica pode estar sofrendo uma alteração anual de 11 mil a 15 mil quilômetros quadrados por ano por causa do desmatamento acelerado. "Estamos constantando que há um empobrecimento acelerado", afirma a bióloga, que um ano antes havia previsto o incêndio que destruiu quase 12% do Estado de Roraima, em 1998.
Adriana explica que as imagens do Inpe mostram o desmatamento, mas deixam de fora outras alterações florestais como a a retirada seletiva de madeira, as queimadas ou as duas coisas juntas. "Por isso não se pode dizer que só as derrubadas estão desvastando a Amazônia", observa .
O alerta feita pelo Ipam se baseou em um estudo de uma área de 50 quilômetros quadrados em Paragominas, no Pará. Pelas imagens do satélite utilizado pelo Inpe, cerca de 66% da floresta ainda estava intacta e 34% da região havia sido desmatada. Segundo Adriana, o Ipam resolveu fazer uma pesquisa de campo, constatando que as alterações eram bem maiores. "Os levantamentos apontaram que havia apenas 6% de floresta, ou seja
60% a menos do que o apontado pela imagem do satélite", diz .
Os dados divulgados ontem (10) pelo Inpe também foram recebidos com cautela por organizações não-governamentais ligadas à área ambiental. A World Wide Fund for Nature (WWF) - Fundo Mundial para a Natureza - informou que o levantamento feito pelo governo brasileiro só inclui áreas superiores a seis hectares. "Cortes de pequena escala, entretanto, não entraram no cálculo da taxa, que pode ser na prática ainda maior do que o registrado", diz nota da WWF. Segundo o diretor-executivo da entidade no Brasil, Garo Batmanian, o governo não tem uma política definida para o setor ambiental.

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