Meinberg exonera marido de Maeli
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 21 (AE) - O secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, exonerou hoje o marido e tesoureiro de campanha da ex-vereadora Maeli Vergniano, Josué Magliarelli, do cargo de assessor especial da secretaria.
A demissão ocorreu a pedido do secretário das Administrações Regionais, Naor Guelfi, por motivo de "troca de equipe em cargos de confiança", de acordo com a assessoria de imprensa de Guelfi.
Guelfi assumiu na semana passada a SAR, em substituição ao vereador Domingos Dissei (PPB). O Diário Oficial do Município de hoje registra a troca de quatro assessores em cargos de comissão.
A ex-vereadora Maeli foi cassada no dia 31 por um dos três motivos pelos quais foi acusada pela CPI dos Fiscais: a utilização, para fins particulares, de carro e motorista cedidos pela empresa Vega Enganharia Ambiental para a regional de Pirituba.
O arquiteto Magliarelli acumulou o cargo de arquiteto na SAR com a chefia de gabinete de Maeli. Na prática, ele trabalhava na Administração Regional de Pirituba, que era controlada pela vereadora, como Supervisor de Obras e Serviços Públicos.
Só deixou a Câmara ao conseguir o cargo de assessor especial na SAR, um dos maiores salários da secretaria, do qual foi demitido hoje.
Magliarelli foi indiciado em julho pela polícia sob a acusação de peculato e formação de quadrilha. Ele também responde a ação civil pública da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), que cobra a devolução de R$ 101 mil por acumular, de 1987 a 1991, o cargo de arquiteto com o de assessor técnico da Câmara.
Por esse mesmo motivo, o Departamento de Procedimentos Disciplinares (Proced) da Secretaria dos Negócios Jurídicos concluiu em 1998 um processo contra Magliarelli, mas ele ficou parado desde setembro do ano pasado no gabinete de Meinberg.
No lugar de Magliarelli na Câmara entrou sua irmã, Dorcas Magliarelli, que mora em Botucatu e não comparecia ao gabinete de Maeli para trabalhar. Seu salário era de R$ 7,5 mil. Ela é professora de escola estadual no interior e está sendo processada pela Câmara após a revelação, feita pela Agência Estado, de que era funcionária fantasma.
A ex-cozinheira de Maeli, Maria Rodrigues, foi intimada hoje a comparecer à Câmara, em um período de 48 horas, para ser ouvida pela Comissão Processante Disciplinar que analisa seu caso. Ela era contratada como secretária-assistente, mas trabalhava na casa da vereadora. A intimação foi feita porque ela se encontra em "lugar incerto e não sabido" - desapareceu.
O advogado de defesa de Maria, Antônio Carlos de Barros, enviou por fax na quarta-feira à comissão processante petição na qual renuncia ao cargo por "motivo de foro íntimo". Ele deveria ter entregue hoje, dia em que seriam ouvidas Maria e Dorcas, e tem dois dias para entregar a petição original. Por conta do fato, Dorcas e Maria têm também dois dias para nomear outro defensor.


