Megatel investe US$ 1,5 bi para concorrer com a Telefônica em SP
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 05 (AE) - A Megatel do Brasil, que vai concorrer com a Telefônica em todo o Estado de São Paulo, anunciou hoje investimentos de US$ 1,5 bilhão em três anos para implantar sua rede de telefonia. A empresa, que assinou hoje o contrato de autorização com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), garantiu que iniciará suas operações até 31 de dezembro, instalando 33,7 telefones para cada mil habitantes em 13 das 25 cidades do Estado com mais de 200 mil habitantes.
"Queremos iniciar nossas operações o mais rápido possível", afirmou o presidente do Conselho de Administração da Bell Canada, Derek Burney. Além da operadora canadense, fazem parte da Megatel o grupo argentino Liberman e as americanas Qualcomm e WLL International.
A empresa espera criar cerca de mil empregos diretos nos próximos três no Estado de São Paulo e vencer a concorrência com a Telefônica oferecendo melhores serviços. "Vamos atrair os clientes pela qualidade, buscando a satisfação do usuário", disse Burney.
A Megatel, que pagou hoje R$ 28 milhões referentes a 40% do valor ofertado pela licença, se comprometeu a instalar seus serviços até dezembro do ano 2000 em 80% dos municípios com mais de 200 mil habitantes, com uma densidade mínima de 43,2 linhas para cada mil habitantes. Em 2001, deverão ser atendidos todos os 25 municípios com esta população, com uma oferta de 55,3 linhas para cada mil habitantes.
"Podemos dizer que com estas obrigações pelo menos 60% da população de São Paulo poderá ter uma segunda opção de telefonia fixa em 2001", afirmou o presidente da Anatel, Renato Navarro Guerreiro. Para o presidente Fernando Henrique Cardoso, a assinatura do contrato é importante para iniciar a competição na telefonia paulista.
"Não se trata de privatizar por privatizar, mas há toda uma filosofia por trás deste processo", afirmou o presidente Fernando Henrique Cardoso, em solenidade no Palácio do Planalto, citando a reestruturação do setor de telecomunicações no Brasil, que não foi uma "privatização selvagem". "Não queremos passar do monopólio público para o monopólio privado", avisou o presidente. "O mercado tem efeitos benéficos quando ele é instrumento de competição", disse.
Satélite - Também foi assinado hoje o contrato para que a empresa Loral Skynet, subsidiária da americana Loral Space, fabricante de equipamentos aeroespaciais e de defesa, explore o primeiro satélite privado brasileiro. A Loral, pagou hoje integralmente os R$ 33,051 milhões ofertados na licitação, realizada em março. A Loral Skynet deverá instalar o satélite em até 3 anos, e anunciou investimentos de R$ 300 milhões.
Segundo o representante da empresa, Umberto Celli Junior
a Loral pretende negociar com a Embratel, sua concorrente direta, a possibilidade de lançarem conjuntamente um satélite. Esta medida, além da economia para as duas empresas, não representaria um problema para a competição, já que as duas têm o direito de usar a mesma posição orbital sobre o País mas operam em frequências diferentes.
Com a entrada da Loral no mercado, a empresa irá aumentar a capacidade do segmento espacial de transmissão de dados, voz e imagens para o mercado de telecomunicações brasileiro. O principal mercado, porém, será a transmissão de imagens para televisão. Parte da capacidade do satélite será voltada para o mercado americano. Atualmente, apenas a Embratel, comprada em julho pela americana MCI, explora os cinco satélites brasileiros.


