Megatel exigirá resposta rápida da Telefônica, diz ministro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 23 (AE) - A competição entre a Telefônica e a Megatel, que venceu hoje a licitação da empresa-espelho de telefonia fixa que vai operar no estado de São Paulo, deverá começar antes que o previsto. Para o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, a decisão da Megatel de instalar, até 31 de dezembro, 3,37 aparelhos para cada 100 habitantes (cinco vezes mais que o mínimo previsto no edital), mostra que a espelho já terá que começar a trabalhar a partir de amanhã (24) e que a Telefônica precisará ter "enorme agilidade" nos próximos meses para enfrentar a concorrente.
"O resultado do leilão é fundamental, porque estabelece a competição na telefonia fixa na área de maior densidade populacional e onde ocorreram os maiores volumes de problemas desde a privatização", comemorou o ministro.
No entender de Pimenta, a vitória da Megatel - cujos integrantes também participam da Canbrá Telefônica, que arrematou a espelho da Tele Norte Leste - também foi positiva para o processo de reestruturação do setor de telecomunicações. "A empresa que venceu é sob o ponto de vista técnico altamente qualificada", afirmou o ministro.
Segundo Pimenta, as duas empresas vão começar a competir inicialmente nos grandes centros do estado de São Paulo.
Por ser uma empresa que parte do zero, a Megatel não deverá cometer os três erros básicos da Telefônica. No entender de Pimenta, ao assumir a Telesp a empresa espanhola "não assimilou corretamente a cultura da operadora". Assim, disse, ela não fez a integração de pessoal, não teve uma convivência favorável com o fornecedor brasileiro e foi rápida demais na troca do nome da operadora, o que para o ministro foi "uma bobagem da empresa".
"Ela agiu precipitadamente e criou um clima de desconfiança no início", avaliou Pimenta. Além disso, segundo ele, a Telefônica "foi lenta e não se programou para os investimentos que teria que fazer".
Por fim, até hoje a operadora paulista ainda vivia sem a perspectiva de um concorrente direto. "A Telefônica não estava acossada pela concorrência, como estará a partir de agora", disse o ministro.
Centro Sul - O resultado do leilão de hoje já permite que a Agência Nacional de Telecomunicaçoes (Anatel) declare deserta a licitação para a empresa-espelho da Tele Centro Sul, que até o momento não atraiu investidores. Só assim, será possível lançar uma nova licitação.
A estratégia era dividir esta licença em regiões, com objetivo de atrair mais interessados. Esta hipótese, porém, ainda não foi confirmada pelo Conselho Diretor da agência.
Para Pimenta, a melhor opção seria insistir em vender a licença integral. Segundo ele, reduzir a área irá sempre agravar a situação das regiões que são menos atrativas economicamente, referindo-se aos Estados do Acre e Rondônia.
O ministro considera que a mudança no cenário econômico brasileiro no último mês também poderá interessar investidores estrangeiros. "A realidade atual é diferente daquela de janeiro
quando foi lançado o segundo edital para as empresas-espelho", disse Pimenta.
O importante, segundo o ministro, será vender bem o novo edital, lembrando para os estrangeiros que esta será a última grande licença a ser licitada no País.
Além, disso, o ministro salientou que o cenário atual das telecomunicações no País deverá mudar em 2003, quando vencer o prazo legal que impede a transferência do controle acionário. "Haverá uma grande rearrumação entre as empresas, inclusive nas privatizadas em 1998", afirmou.
"Notícias que nos chegam dizem que haverá fracionamento de áreas, fusões de empresas e trocas de posições entre os acionistas", adiantou o ministro.


