Com um acordo entre detentos e autoridades para pôr fim ao motim no complexo penitenciário Carandiru, o maior na América Latina, foi controlada ontem à tarde a rebelião em massa iniciada no domingo, que converteu em cenário de pesadelo 29 centros penitenciários de São Paulo. Pelo menos 15 presos morreram, segundo informação do secretário estadual de Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi. A ação simultânea foi liderada pelo Primeiro Comando da Capital, uma facção criminosa que atua em SP. Os números ainda não são definitivos, pois pode haver mais mortos, já que a revista na Casa de Detenção de São Paulo só deve terminar hoje.
O acordo conseguido em Carandiru com a mediação de uma comissão de direitos humanos permitiu a libertação dos cerca de 6 mil familiares que estavam em todo o complexo e a posterior entrada das forças policiais de choque para retomar as instalações, com o compromisso de não-violência, informou à Agência France Presse por telefone de dentro do presídio Daniela Cecília Silva, coordenadora da Pastoral Carcerária do Brasil.
Na maioria dos presídios, houve acordos semelhantes e os reféns, principalmente familiares, mulheres e crianças que ontem estavam em dia de visita, foram libertados.
A estimativa extra-oficial é que no total se rebelaram cerca de 27 mil detentos e que os 13 mil familiares que visitavam os centros no domingo (deles, 6 mil somente no complexo de Carandiru) se converteram em reféns.
As imagens divulgadas pelas redes de televisão mostravam ontem um cenário dantesco na maioria dos presídios onde houve motis: instalações incendiadas, roupas ensanguentadas pelo solo, setores administrativos destruídos e familiares desesperados na rua.
Na penitenciária de Carandiru, uma das partes do complexo, a tropa de choque da Polícia Militar reuniu os detentos e fez a revista das celas e corredores internos do complexo de presídios.
Os detentos foram colocados nus, sentados no chão e com as mãos cruzadas na nuca, enquanto os agentes fortemente armados percorriam os pavilhões em busca de armas ou presos escondidos.
Em frente aos portões do complexo de Carandiru, a polícia montada teve que ser chamada às pressas para impedir que familiares doa amotinados, temerosos de represálias da tropa de choque, invadissem o presídio.
Desesperados ao ver que a tropa armada entrada no complexo de Carandiru, familiares dos detentos passaram a atacar os agentes jogando pedras, paus, garrafas e até cocos, mas terminaram dispersados com bombas de gás lacrimogêneo.
De acordo com o secretário Marco Vinício Petrelluzzi, foram 29 as unidades atingidas, 25 penitenciárias e Centros de Detenção Provisória (CDPs) e quatro cadeias públicas e delegacias de polícia.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Marcos Rolim, responsabilizou diretamente o ministro da Justia, José Gregori, pela catastrófica situação imperante no sistema penitenciário brasileiro. (Com Agência Folha)

mockup