Megaoperação prende 14 policiais rodoviários
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quinta-feira, 31 de março de 2005
Andréa Michael<br>Folhapress 
Teresina, PI- A Polícia Federal prendeu ontem 14 policiais rodoviários federais e 15 sócios e funcionários de empresas de transporte de passageiros e de carga, sob a acusação de, em conjunto, montar um esquema que permitia a passagem livre de veículos nas estradas, à revelia da fiscalização, mediante pagamento de propina.
O grupo, que atua no Piauí e tem ramificações em Goiás, Ceará e São Paulo, teria praticado os crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, concussão, prevaricação (deixar de cumprir dever legal) e violação do sigilo funcional.
A investigação, iniciada em março de 2004, produziu cinco inquéritos, nos quais, também com o uso de escutas telefônicas, a PF reuniu indícios de que os policiais, além de permitir o tráfego de ônibus de passageiros sem a necessária licença, passavam informações sobre que servidor estaria nas escalas de plantão em postos policiais nas estradas. Assim, as empresas conseguiriam programar a passagem de seus veículos para os momentos em que poderiam contar com a colaboração do plantonista.
''Em regra, as empresas envolvidas tinham autorização para transportar turistas, mas faziam transporte regular de passageiros nas rotas entre entre Piauí, Ceará e São Paulo'', disse o delegado Herbet Rolim, responsável pela investigação, que hoje foi batizada de Operação Buriti _referência a árvore comum na região.
Segundo a PF, o esquema é composto pelas empresas: Guanabara, Josatur, Fátima Tur, Disnovel, Othon e Barroso. Em conjunto ou separadamente, conforme a investigação, as empresas pagavam policiais para burlar a fiscalização e também para redobrar a vigilância e as multas sobre a concorrência.
Com exceção da Disnovel, as demais transportam passageiros. A Disnovel comercializa cereais e teria entrado no esquema de pagamento de propina para poder trafegar com carga acima do peso permitido, sem ter seus veículos incomodados pela fiscalização rodoviária.
A investigação, conduzida pela PF, com a colaboração da Polícia Rodoviária Federal, obteve a quebra de sigilo bancário de policiais presos hoje. Conforme sentença judicial que autorizou as prisões e busca e apreensão de documentos e equipamentos, há depósitos bancários recebidos por policiais cujos valores são incompatíveis com o rendimento a que têm direito como servidores.
Os depósitos mais robustos teriam sido recebidos pelo policial Pedro Duarte de Sousa Neto. Sem contabilizar os créditos decorrentes de sua atividade policial, em 2004, ele recebeu mais de R$ 170 mil.
O conjunto apreendido pelo grupo de 144 policiais destacados para a missão inclui, além de documentos, camionetes de luxo e cerca de R$ 11 mil em espécie.
Segundo o superintendente da PF no Piauí, Augusto Serra' Pinto, nos próximos 15 dias o material apreendido será analisados e os inquéritos relatados e encaminhados à Justiça.


