Megaoperação prende 106 pessoas no Paraná e em mais dois estados
Ação mobiliza mais de 500 policiais e mira organização criminosa investigada por crimes violentos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Ação mobiliza mais de 500 policiais e mira organização criminosa investigada por crimes violentos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

A PCPR (Polícia Civil do Paraná) prendeu 106 pessoas nas primeiras horas desta quarta-feira (14), durante uma megaoperação contra uma organização criminosa investigada por crimes violentos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação, executada com o MPPR (Ministério Público do Paraná), mobilizou mais de 500 policiais e cumpriu 92 mandados de prisão e 120 de busca e apreensão no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo.
Entre os presos está uma advogada de Realeza (Sudoeste), identificada durante a investigação por manter vínculos com a organização criminosa. As diligências também resultaram na prisão em flagrante de outras 14 pessoas, após a apreensão de drogas, armas e munições.
Os mandados foram cumpridos nos municípios paranaenses de Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Santa Izabel do Oeste, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Capanema, Salto do Lontra, Santo Antônio do Sudoeste, Itaipulândia, Santa Helena, Barracão e Cruzeiro do Oeste. Em Santa Catarina, houve cumprimento de ordem judicial em Abelardo Luz e, em São Paulo, nas cidades de São Carlos e Cotia
Nos endereços vistoriados, foram apreendidos celulares, um quilo de maconha, mais de 300 gramas de cocaína, três armas de fogo, munições e documentos. Em Curitiba, os policiais encontraram 38 pés de maconha em uma estufa destinada ao cultivo da planta.

A operação teve como ponto de partida uma investigação da PCPR em Clevelândia (Sudoeste), sobre crimes violentos atribuídos ao grupo. Entre as práticas investigadas estão tortura e cárcere privado de pessoas acusadas pela organização de “traição”, além da cobrança de dívidas do tráfico por meio de ameaças e intimidação.
As investigações identificaram que a organização transportava drogas entre cidades, mantinha depósitos para armazenar os entorpecentes e controlava pontos de venda à distância. As lideranças negociavam a compra e a distribuição de grandes quantidades de cocaína, crack e maconha para revenda em diferentes regiões, com preços tabelados.

A delegada Alini Simadon afirma que o rastreamento das ordens para a prática dos crimes violentos levou os investigadores a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária do Sudoeste do Paraná. “Com os dados obtidos nos aparelhos, foi possível revelar uma organização criminosa estruturada e sem fronteiras, pois o comando partia de dentro do sistema prisional e as ordens chegavam às ruas de dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo”, explica.
Organização
De acordo com a PCPR, dentro dos presídios o grupo mantinha uma estrutura paralela de poder, com cargos e funções definidos. Um setor era responsável por fiscalizar as regras da facção, julgar presos considerados infratores e aplicar castigos físicos.
Outros integrantes cuidavam de esconder, recarregar e fazer circular celulares e roteadores entre as celas, garantindo contato permanente com o meio externo. Fora das unidades prisionais, a organização contava com uma rede de apoio formada por familiares e colaboradores, que transportavam entorpecentes escondidos no corpo durante visitas aos presos.
Lavagem com pix
A investigação identificou mecanismos usados para movimentar os recursos obtidos com o tráfico de drogas. Segundo a delegada, familiares dos presos transferiam dinheiro via pix para contas abertas em nome de terceiros, sem ligação com os detentos. Os depósitos eram fracionados e os saques, feitos rapidamente, para dificultar o rastreamento dos valores.
Ainda foi identificada uma empresa de fachada do ramo de transportes utilizada para receber pagamentos referentes a cargas de drogas. A movimentação financeira era registrada em planilhas de controle.
A Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário das contas utilizadas pelo grupo e o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.


Da Redação
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