Rio de Janeiro - Como tentativa desesperada de prender Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, a Polícia Civil do Rio iniciou ontem uma megaoperação, batizada de Pandora, em que, Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 500 policiais se revezarão na favela da Grota (complexo do Alemão, zona norte) até encontrar o traficante.
Faltam nove dias para que termine o prazo de um mês dado pelo secretário de Segurança, Roberto Aguiar, para a prisão de Elias Maluco, 36 anos, apontado como assassino do jornalista Tim Lopes, da TV Globo. O crime ocorreu no complexo no dia 2 de junho.
A operação começou às 8h30 de ontem, com a participação de 250 policiais. Outros 250 passariam à noite na favela. Dois helicópteros e o dirigível a serviço da Secretaria de Segurança participaram da ação.
Apesar do aparato, a operação não havia tido sucesso até as 19h30, pois Elias Maluco não havia sido encontrado.
O resultado da operação, até as 19h30, era a detenção de três suspeitos. Em um dos acessos à favela, foi levada pela polícia uma carceragem móvel montada em um microônibus. O veículo ficou praticamente vazio o dia inteiro.
O trabalho dos policiais se divide em dois turnos. São 250 das 8h às 20h e o mesmo número das 20h às 8h. Segundo o delegado-titular da DH (Delegacia de Homicídios), Paulo Passos, não há data para a ação terminar.
''Só saímos daqui com o Elias Maluco'', disse.
Passos afirmou que a análise de várias denúncias recebidas pelo setor de inteligência da Polícia Civil indica que o traficante está escondido na Grota, favela em que o jornalista da Globo foi assassinado, depois de capturado na vizinha Vila Cruzeiro. Lopes fazia uma reportagem para a emissora.
''Sabemos que ele pode reagir e pode estar fortemente armado, mas a determinação do chefe da Polícia Civil (delegado Zaqueu Teixeira) é só sair daqui quando prendermos Elias Maluco'', afirmou.
Passos disse ainda que os três principais acessos à Grota foram ocupados. A intenção é vistoriar o maior número das cerca de 10 mil casas da favela.
Segundo Passos, a polícia estava munida de dez mandados de busca e apreensão, expedidos pelo juiz da 1 Vara Criminal do TJ (Tribunal de Justiça), Alexandre Abraão, para os endereços cujas denúncias eram mais consistentes. Nada foi encontrado.
O delegado disse ainda que o TJ e o Ministério Público entenderam que poderia haver constrangimento de pessoas durante as buscas.
''Por isso, o juiz se comprometeu a ficar de prontidão, 24 horas por dia, pois eles precisam ser específicos para cada casa. Como os mandados só podem ser cumpridos das 6h às 18h, se for necessário vamos passar a madrugada cercando uma casa suspeita até chegar o mandado e podermos entrar'', disse.
A polícia espera que a comunidade ajude, com denúncias anônimas. ''Logo depois do assassinato do Tim Lopes, pensávamos que os próprios traficantes iriam entregá-lo. No entanto, o que vemos é que ele ganhou mais respeito. Hoje é um dos homens mais fortes do Comando Vermelho (facção criminosa) em liberdade'', afirmou.
Além da DH, participam da operação outras três delegacias especializadas (Anti-sequestro, de Repressão a Entorpecentes, de Roubos e Furtos) e a Core (Coordenadoria de Recursos Especiais).
Ontem, quando os primeiros policiais da Core chegaram à favela, por volta das 8h30, ouviu-se tiros. Mas, segundo Passos, não houve confronto entre policiais e traficantes.

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