Megaoperação contra PCC detém 93 pessoas no Paraná
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Uma pilha de cadernos encontrada com dois criminosos há um ano e quatro meses, em Curitiba, foi a chave para a polícia paranaense mapear toda a estrutura organizacional do braço do Primeiro Comando da Capital (PCC) que age no Estado. Com base nos dados anotados no que pode ser considerado o "mapa do tesouro" para os serviços de inteligência, a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) deflagrou ontem, em 72 cidades, a megaoperação Alexandria. Foram 767 mandados cumpridos na maior operação já realizada contra a facção no País.
Até o fim da tarde de ontem, a operação que mobilizou 1,5 mil policiais civis e militares já havia prendido 93 suspeitos, sendo 28 em Curitiba e região metropolitana e 65 no interior do Estado, 18 deles na região de Londrina. Do total de mandados, 287 foram cumpridos nas ruas e 484 dentro das penitenciárias. "São detentos que já cumpriam pena por crimes que sustentam a facção, como tráfico de drogas, e que agora também vão responder por associação criminosa, crime cuja pena pode chegar até oito anos de detenção", explica o diretor do Departamento de Execução Penal (Depen), Luiz Alberto Cartaxo.
Para o delegado Cartaxo, a única forma de enfrentar a facção criminosa com sucesso é enfraquecê-la dentro e fora das prisões. "Precisamos combater a disseminação desta cultura de facção criminosa, atacando na essência. Assim podemos garantir a manutenção da ordem do sistema prisional e prevenir crimes que alimentam o grupo", declara. O delegado revelou que a maioria dos cumprimentos de mandados dentro de prisões se deu na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP 1), onde o Depen já vinha concentrando os presos da facção.
Entre os presos estão dois advogados, um de Curitiba e outro de Paranavaí, que são acusados de transmitir ordens dos líderes de dentro das penitenciárias para outros integrantes da facção. A polícia também investiga os proprietários de um hotel no centro de Curitiba, que seria usado para lavagem de dinheiro. Por decisão do Poder Judiciário, 237 telefones foram bloqueados, assim como 28 contas bancárias que, além do bloqueio, terão os valores sequestrados. O Depen negocia com o Sistema Penitenciário Nacional a transferência dos 40 presos mais perigosos para penitenciárias em outros Estados.
Além dos cadernos, a polícia contou com 1,7 mil horas de gravação de mais de 30 mil ligações interceptadas por meio de autorização judicial. "Como o conteúdo das conversas envolvem membros da facção de outros 11 Estados, nossa investigação servirá de base para a prisão de muitos outros criminosos", comenta o delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Rodrigo Brown.
O secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, Wagner Mesquita, explicou que os cadernos traziam de forma detalhada os nomes dos integrantes que ingressavam na facção, assim como o dos padrinhos, que indicavam os novos membros. Além disso, as páginas continham toda a contabilidade do grupo criminoso, com o pagamento das mensalidades e as obrigações que os membros precisavam cumprir, como assaltos ou extorsão de familiares de presos, para garantir a proteção dentro das penitenciárias.
Mesquita garantiu que as unidades prisionais sofrerão "adaptação" para reforço de segurança. O secretário admitiu que o controle de telefones celulares de dentro dos presídios tem de ser melhorada. "Precisamos rever isso. Temos planejamento para o ano que vem para a instalação de bloqueadores. O melhor sistema ainda está sendo avaliado, mas posso garantir que essa é uma prioridade para o próximo ano".


