São Paulo - A PF (Polícia Federal) deflagrou na manhã desta segunda-feira (31) uma megaoperação de combate ao crime organizado em 19 estados e no Distrito Federal. Batizada de Caixa Forte 2, a ação envolve cerca de 1.100 policiais federais, que cumpriam 623 ordens judiciais, sendo 422 mandados de prisão preventiva e 201 mandados de busca e apreensão. Deste total, 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Londrina e havia também 14 mandados de prisão. Para o Paraná, foram expedidos 72 mandados de busca e apreensão e 101 de prisão.

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. | Foto: Divulgação/PF

De acordo com a PF, todos os mandados foram expedidos pela 2ª Vara de Tóxicos de Belo Horizonte, que também determinou o bloqueio de até R$ 252 milhões dos envolvidos, dinheiro supostamente proveniente do tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro de pessoas ligadas à cúpula da facção criminosa PCC, nascida nos presídios paulistas nos anos 1990 e que hoje tem ramificações em todos os estados brasileiros e em países vizinhos.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, a operação é o resultado dos desdobramentos da operação Caixa Forte - Fase 01, que identificou os responsáveis pelo chamado "Setor do Progresso" da facção. Este setor, segundo a investigação, dedicava-se à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico. Os valores arrecadados eram repassados para inúmeras outras contas bancárias da facção, entre elas do "Setor da Ajuda", responsável por auxiliar membros da facção recolhidos em presídios.

A investigação identificou 210 integrantes do alto escalão do PCC, recolhidos em presídios federais, que recebiam valores mensais em razão do cargo de relevo na facção. O dinheiro também era repassado para integrantes que cumpriam ordens da liderança, como o assassinato de servidores públicos.

De acordo com nota divulgada pela PF, os depósitos dos valores eram feitos na conta de terceiros indicados pelos chefões do crime, pessoas sem ligação com o grupo.

Era uma forma de tentar dificultar a investigação policial. "Os presos são investigados pelos crimes de participação em organização criminosa, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, cujas penas cominadas podem chegar a 28 anos de prisão", diz nota da PF.

REPRESÁLIAS

Diante do atual cenário de superlotação carcerária no Paraná, a operação que atingiu fortemente membros do grupo criminoso poderá tornar o clima ainda mais tenso nas penitenciárias, por conta da possibilidade de represálias por parte do PCC contra policiais penais ou demais agentes de segurança pública.

A FOLHA teve acesso a um documento protocolado no dia 24 de agosto pelo Setor de Inteligência da Polícia Federal de São Paulo, que considerou válida uma mensagem compartilhada por integrantes do grupo criminoso via WhatsApp. O "salve" do PCC é considerado um "chamamento" para seus membros "tomarem ciência e responderem com ataques a operadores de segurança pública", diz o registro. Conforme o relatório, a motivação da ameaça nasceu com a transferência de integrantes de organizações criminosas inimigas do PCC para o mesmo pavilhão em que possuem predominância. "Na concepção dos criminosos, tal atitude teria a intenção direta do estado, a partir de suas respectivas administrações penitenciárias, de provocar conflitos entre as facções dentro de presídios", encerra a nota. (Com Reportagem Local)

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