Megaliquidação de São Paulo tem saldo negativo
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domingo, 14 de março de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 15 (AE) - Pela primeira vez em um ano e meio, a megaliquidação promovida pelos lojistas de rua e de shopping centers de São Paulo teve um saldo negativo. De 27 fevereiro até hoje, as lojas que participaram da "Liquida São Paulo" faturaram 4% menos do que na liquidação de verão de 1998. Os estabelecimentos que não aderiram ao evento registraram uma retração ainda maior nas vendas, de 10% na primeira quinzena deste mês, em relação a igual período do ano passado. As lojas de shopping centers acumulam queda de 40% nas vendas este ano em todo o País.
"A liquidação atenuou o efeito da retração nas vendas"
afirma o presidente da Alshop, que reúne lojistas de shoppings de São Paulo, Nabil Sahyoun. Ele admite que o resultado ficou aquém da expectativa do setor, que era pelo menos empatar com a liquidação do ano passado. "Os juros altos, a falta de financiamento ao consumidor e o medo do desemprego provocaram queda nas vendas", diz o empresário.
Os números da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) confirmam a retração. Nos primeiros 14 dias deste mês as consultas para vendas a prazo no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) caíram 10,2% na comparação com os mesmos dias de 1998. No Telecheque, que dá uma idéia do volume de negócios à vista, o recuo foi de 9% no mesmo período. "Na venda à vista a queda aprofundou-se um pouco mais este mês", diz o econmista da ACSP, Emílio Alfieri.
Apesar de a temporada de grandes pechinchas estar chegando ao fim, ainda há lojas que continuam promovendo as sobras de artigos de verão, na expectativa de obter capital de giro para compra da nova coleção de inverno.
Cartões - Lojistas de shopping centers estão oferecendo descontos de 5% a 12% para quem paga à vista ou com cheque pré-datado para escapar das vendas com cartão de crédito, segundo Sahyoun.
Com o aumento de 1,41% no Índice de Preços ao Consumidor da Fipe em fevereiro e o risco da volta da inflação, além da taxa de 2,5% a 5% sobre o valor da compra cobrada pelas administradoras de cartão de crédito, que pagam ao lojistas cerca de um mês após a data da venda, a aceitação do cartão teria ficado desinteressante para os comerciantes por causa do encargos elevados, explica o presidente da Alshop. "As lojas deram uma condição melhor para o cliente, que pagou em dinheiro em vez de usar o cheque", acrescenta o superintendente do Shopping Metrô Tatuapé, Waldemar Jezler, referindo-se à liquidação encerrada na semana passada. Segundo ele, as lojas forçaram a venda à vista por causa do medo do calote e da falta de capital de giro.
As estatísticas da Alshop mostram que a preferência por liquidez por parte do comércio alterou o perfil das vendas. Até janeiro, a fatia de negócios à vista era de 30% e chegou a 43% na primeira quinzena de março. O uso do cartão de crédito, no entanto, recuou de 40% para 27% em igual período.


