Megacidades são o grande desafio na gestão da água19/Mar, 16:24 Por Liana John Enviada especial Haia, Holanda, 19 (AE) - "A grande batalha pela conservação da água será ganha ou perdida nas megacidades do mundo", afirmou Klaus Toepfer, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente(PNUMA), no Fórum Mundial da água, em Haia, Holanda. São consideradas megacidades aquelas com mais de 10 milhões de habitantes. Já existem 23 megacidades no mundo, 18 das quais localizadas em países em desenvolvimento, São Paulo entre elas. A cada ano, somam-se 60 milhões de novos habitantes a estas megacidades, seja por migração (cujo ritmo tem diminuído) ou pelo crescimento vegetativo. Com isso, crescem exponencialmente as demandas por água e os problemas decorrentes da superexploração ou má gestão desses recursos hídricos. De acordo com Toepfer, metade das cidades européias já exploram águas subterrâneas acima da sua capacidade de reposição natural e diversos países têm sérias dificuldades com a poluição destes aquíferos. A salinização é outro problema grave e atinge severamente Bancoc, por exemplo. E chega a ser asustadora a consequência da superexploração das águas subterrâneas na Cidade do México, que está literalmente afundando devido à retirada excessiva da água do subsolo. O Brasil, com exceção do semi-árido nordestino, não sofre de escassez de água, mas tem sérios problemas com a poluição industrial, agrícola e, sobretudo, com a falta de saneamento e o consequente despejo de esgotos in natura nos cursos d'água. "Até 2025, cerca de 5 bilhões de pessoas estarão vivendo em cidades", acrescenta o diretor do PNUMA. "Isso significa que qualquer solução para a crise da água está intimamente ligada à governabilidade de nossas cidades". Muito além da simples urbanização, as dificuldades advém da "imprecedente urbanização da pobreza". Quer dizer, as cidades não estão se tornando apenas maiores, mas estão concentrando cada vez mais os socialmente excluídos. Estudo - Conforme um estudo realizado pelo geógrafo francês Alain Dubresson, da Universidade de Paris, nas megacidades há uma fragmentação do tecido social, com "enclaves de ricos de um lado e um gradual enclausuramento das regiões onde vivem os pobres, de outro". Com isso, a tendência é de uma fragmentação ainda maior, com segmentos urbanos se tornando mais e mais independentes uns dos outros e inviabilizando a governabilidade da cidade. Um exemplo brasileiro que bem poderia ilustrar o estudo de Dubresson são os "governos paralelos" dos traficantes nas favelas. A saída, para Dubresson e para Toepfer, não está mais nas mãos das autoridades políticas ou econômicas, unicamente, mas depende de sistemas abertos, participativos e transparentes de administração, capazes de gerar co-responsabilidade entre os habitantes. "A questão é saber se os novos parceiros vão contribuir para uma fragmentação ainda maior ou para a integração dos excluídos", finaliza Dubresson.