Medvedev sente-se a pessoa mais feliz do mundo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
Paris, 02 (AE) - Carrasco de Gustavo Kuerten e próximo desafio para Fernando Meligeni, o ucraniano Andrei Medvedev é, sem dúvida, um homem de frases fortes, de efeito. Ao derrotar Guga em Roland Garros, exibiu um largo sorriso e declarou em tom épico: "Sou a pessoa mais feliz do mundo", disse. "Não acredito que exista alguém neste planeta mais contente do que eu estou agora."
Medvedev, o monstro de Kiev (como era conhecido nos seus bons tempos), está de volta. Campeão de vários torneios em temporadas anteriores, como Hamburgo, Montecarlo, Barcelona, e ex-número 4 do ranking mundial (posição que ocupou em 16 de maio de 1994) tem bons motivos para estar feliz da vida, como nunca talvez tenha se sentido.
Além da classificação para as semifinais de Roland Garros e a perspectiva de renascer para o tênis - já era dado como acabado - o tenista ucraniano mostrou um jogo capaz de levá-lo de volta a uma boa posição no ranking mundial.
"Eu nasci duas vezes e tenho dois amores", afirmou Medvedev aguçando a curiosidade de todos. "Renasci para o tênis e cai novamente apaixonado por uma mulher." Pode parecer um devaneio, mas a história é real. Medvedev está lúcido. Ele viveu o inferno no tênis, com crises de depressão e a opção de recorrer a medicamentos para superar os piores momentos. Perdeu também a antiga namorada, a tenista alemã Anke Huber, mas agora, tudo está de volta.
Há pouco mais de um mês, Medvedev reencontou Anke Huber no torneio do Estoril, em Portugal. Voltaram a se falar e hoje seus amigos garantem que irão se casar.
"Ainda preciso de um tempo", disse na entrevista coletiva, após sua vitória sobre Kuerten, referindo-se ao casamento. "Meus amigos estão me ligando de todos os lugares, até minha família em Kiev quer saber se iremos casar." O casamento faz parte de seus planos, assim como reconquistar uma posição entre os dez primeiros do ranking mundial. Afinal, Medvedev diz que o tênis é um de seus amores e falou, sem definir, qual é o mais importante: Anke Huber ou as raquetes.
"Tênis é minha vida", disse. "Quero dizer que sem o tênis não sou ninguém", prosseguiu. "Sou uma pessoa, mas tênis e toda a aminha vida e é para isso que vivo." Na quadra, Andrei Medvedev, ex-companheiro inseparável de Yevgeny Kafelinkov, voltou a mostrar um tênis de qualidade indiscutível. Bate na bola com precisão e joga, praticamente, um passo à frente dos outros jogadores. Consegue assim rebater muito mais rápido, tirando do adversário o tempo de reação. Fez isso com Kuerten e promete repetir com Fernando Meligeni, em uma das semifinais da sexta-feira, em horário ainda a ser definido pela organização do torneio.


