Medo e falta de informações esvaziam ruas e bares
A falta de dados oficiais sobre a chacina ocorrida na madrugada de sábado e a facilidade para proliferação de informações e boatos promovidos pelas redes sociais e aplicativos de comunicação como o WhatsApp provocaram medo entre os londrinenses, que preferiram ficar em casa no sábado. Uma das preocupações era sobre um suposto "toque de recolher", atribuído a grupos de comunicação com membros policiais. A ordem, entretanto, foi negada pelas autoridades. Também houve boatos sobre novos tiroteios que não foram confirmados.
Com receio da violência, as ruas de Londrina ficaram praticamente desertas na noite de sábado. A autônoma Mariana Lopes Brandão, de 28 anos, conta que já havia deixado de ir a um show na noite de sexta depois das primeiras informações sobre homicídios, mas que a sensação de medo se intensificou no sábado. "Moro no Jardim Guanabara, a duas quadras da Higienópolis, onde o fim de semana é muito barulhento. Mas neste não ouvi sons de carros ou música alta. Foi um silêncio total."
Ela acredita que a polícia não dá todas as informações para não deixar a população alarmada, mas afirma que amigos policiais disseram que a situação era atípica. "Como não sabia a verdade dos fatos, preferi seguir o que a maioria estava falando", diz.
A autônoma Vanessa Farias Teixeira Vieira, de 33, admite que também ficou assustada com os casos de homicídio, que logo relacionou a rixas com o crime. "Mas liguei para meu marido voltar mais cedo para casa porque estava insegura", revela.
Residente próxima à rua Paranaguá, via conhecida pelo movimento de bares e casas noturnas, ela afirma ter visto, da janela do prédio, as ruas vazias e os bares, com poucos frequentadores.
As queda no movimento foi sentida pelos empresários. O proprietário do restaurante Villa Fontana, Carlinhos Grade, diz que o número de cancelamento de reservas no sábado foi alto e que a casa, que costuma funcionar até as 2h, encerrou as atividades às 23h por falta de clientes. "Eu pretendia encerrar para novos clientes às 22h30 para começar a liberar os funcionários mais cedo, principalmente os que moram em locais próximos às ocorrências, mas não foi necessário."
Porém, se houve queda na frequência, a movimentação nas entregas foi alta, indicando que o londrinense preferiu a segurança do lar. (L.F.W.)





