Medo de erro médico no diagnóstico da morte encefálica e o roubo de órgãos são a causa da reprovação do paulistano à Lei da Doação Presumida, na opinião do secretário de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, Antônio Werneck. Pesquisa do InformEstado, divulgada ontem, mostra que 79% dos moradores da cidade de São Paulo são, a princípio, favoráveis à doação de órgãos, mas apenas 57% aprovam a lei que tornou todos os brasileiros doadores presumidos.
O apoio dos paulistanos à medida é bem inferior ao verificado em âmbito nacional. Segundo Werneck, 69% dos 1,4 mil entrevistados da pesquisa no país, encomendada pelo Ministério da Saúde à empresa de marketing MCI, concordam em doar os órgãos de acordo com o que prevê a nova lei.
Para o secretário, a resistência dos paulistanos à lei diminuirá com os resultados dos transplantes. ‘‘É um processo de amadurecimento’’, observa o secretário, que estima que o próprio sistema de transplantes levará de três a cinco anos para funcionar com qualidade. Segundo ele, há hospitais aparelhados e em condições de fazer as cirurgias e, também, boas equipes, mas a estrutura básica ainda exige aprimoramentos. Falta serem organizados o cadastro único para recebimento de órgão e o banco de doadores.
Uma portaria do Ministério da Saúde regulamentará, até abril, o funcionamento da Central de Transplantes, que deve entrar em funcionamento em 1º de maio. O secretário adiantou que, na montagem da central, a equipe do Ministério avaliará também a possibilidade de o cidadão, em vida, poder optar por fazer a doação a um parente. Por enquanto, a regra geral é respeitar a fila.
‘‘A lei veio para facilitar a vida dos doadores’’, afirma o secretário. Ele lembra que, antes da lei, por exemplo, quem queria doar as córneas tinha de se inscrever em um programa específico. Agora, as córneas são automaticamente retiradas quando houver morte encefálica. Werneck acredita que, com a lei, crescerá o banco de doadores de medula óssea. ‘‘Temos 400 mil inscritos, queremos 4 milhões’’, disse.

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