Brasília, 07 (AE) - Milhares de pessoas correram hoje aos postos de saúde de Brasília para tomar a vacina contra a febre amarela, com receio de um surto da doença. No Distrito Federal, uma pessoa com suspeita de ter contraído a doença em Goiás morreu e outras quatro estão internadas com sintomas da moléstia. A corrida aos postos elevou a média diária de aplicação de vacinas de sete para 250 doses. Alguns postos estão mais sobrecarregados. Hoje, no Posto de Saúde 6, na Asa Sul, até o fm da tarde mais de 500 pessoas haviam recebido a vacina. Entre 30% e 40% tomaram a vacina pela primeira vez, segundo uma enfermeira.
Em outro posto, o do Lago Norte, chegou a faltar vacinas - apesar de haver estoque na administração regional - e houve tumulto. O estabelecimento foi interditado pela Secretaria de Saúde, mas voltou a funcionar no fim da tarde. Segundo a chefe do Programa de Vigilância e Imunização da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Ivone Peres, não há possibilidade de faltar vacinas para atender a população. Ela explicou que o DF dispõe de 140 mil doses da vacina em estoque e os postos estão sendo reabastecidos normalmente. "A população pode procurar os postos sem problemas", disse. Ela, porém, admite a possibilidade de tumultos nesses dias em função da grande procura pela vacina.
Na segunda-feira, o Ministério da Saúde vai passar outras 250 mil doses do produto ao governo local para reforçar o estoque. Já o governo de Goiás, onde o combate à febre amarela foi intensificado, receberá 950 mil doses da vacina. Até dezembro o ministério havia distribuído aos Estados um total de 45 milhões de doses da vacina. Outras 150 mil doses serão enviadas ao Rio de Janeiro. Em Goiás, após a detecção de cinco casos, as secretarias estadual e municipais de saúde estão realizando o bloqueio vacinal de casa em casa. Já foram aplicadas 500 mil doses da vacina nas últimas semanas. Medo - "Fiquei apavorada e decidi procurar o posto de saúde", disse a estudante Débora Lima Ferreira, de 20 anos, enquanto aguardava, com outras colegas, a hora de receber a vacina contra a febre amarela. Para Débora, a doença é grave e as pessoas precisam se precaver. Ana Paula dos Santos, de 47 anos, disse ter ficado nervosa com a morte de uma pessoa por febre amarela no DF. "Para evitar o pior, decidi tomar a vacina".
A dona de casa Olga Abrahão, de 39 anos, também diz que ficou com medo de a doença propagar-se na capital federal. "Trouxe minha filha e aproveitei para me vacinar", explicou Olga, enquanto deixava a filha reclamando da dor provocada pela vacina. "A gente não pode brincar com essas doenças", dizia Antônio Ferreira Santos, de 29 anos, ao dirigir à fila do posto em busca de imunização contra a febre amarela. Nota - Em nota à imprensa, o Ministério da Saúde garante não haver surto de febre amarela no Distrito Federal. Diz que o Brasil não registra casos de febre amarela urbana desde 1942. Segundo a nota, entre os casos de febre amarela silvestre - a média é de 50 a 60 por ano - as pessoas acometidas normalmente moram em centros urbanos, mas contraíram a doença após permanecerem em áreas endêmicas da floresta.