Curitiba - Pesquisa realizada por fisioterapeutas da Universidade Gama Filho (RJ), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) constata que o medo de cair contribui para que haja a queda entre os idosos. O raciocínio mais lento e o declínio da percepção do ambiente são as principais causas que os mantém inseguros na hora de se locomover.
A peculiaridade da pesquisa está em relacionar o desempenho dos idosos que confessaram ter medo de cair com as deficiências apresentadas por eles durante os testes que avaliaram o controle do corpo e a percepção espacial.
A fisioterapeuta Mariana Callil Voos, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e uma das coordenadora da pesquisa, assinala que, com a idade, as pessoas sofrem perda da memória recente, e isso tem vínculos com o que chama de função executiva e percepção espacial: ''Função executiva é a capacidade da pessoa de resolver problemas, de responder adequadamente às demandas do ambiente em que está situada'', explica.
Trinta e oito idosos acima de 60 anos foram submetidos a exames reveladores sobre a interferência direta do medo na Escala de Equilíbrio de Berg (EEB). A tabela mede o equilíbrio estático e dinâmico, que corresponde ao desempenho das funções executivas, como alcançar um objeto, girar o corpo, transferir-se a outro local, permanecer em pé e levantar-se. Os voluntários que se declararam inseguros não corresponderam adequadamente a essas demandas, apresentando pior performance.
Os especialistas foram além e também testaram as correlações entre as tarefas de raciocínio e a chamada Escala de Risco de Queda. Esta é a que mede o medo de cair durante a realização de atividades diárias, que consistiu em dezesseis perguntas, cuja resposta dos idosos variavam, numa pontuação de 1 (não estou preocupado) a 4 (estou muito preocupado). Ao relacionar as duas escalas, se chegou à conclusão de que quanto maior a preocupação de queda do idoso, menor era sua pontuação na EEB, portanto, menor era seu equilíbrio.
A psicóloga-chefe da Ala Geriátrica do Hospital das Clínicas da FMUSP, Valmari Cristina Aranha, explica que o medo é decorrente da ansiedade de cair, na maioria das vezes associado às pessoas que já sofreram uma queda. ''Além dos males físicos que a queda pode gerar, o constrangimento emocional pode ocasionar o isolamento social, aí o medo precisa ser tratado. O isolamento rebaixa as funções cognitivas, agravando a situação. Em outros casos a especialista acrescenta que o medo pode ser protetor. ''Conscientes de suas limitações e dos fatores que podem causar um tombo, o idoso se previne e alcança o que chamamos de auto-eficácia do medo, como um aliado para executar as suas atividades.''
O assunto é ainda mais delicado entre as mulheres, lembra a Fisioterapeuta Mônica Rodrigues Perracini, doutora pela USP e idealizadora do Portal Equilíbrio e Quedas em Idosos (PEQUI). Uma pesquisa realizada em diversos países mostra que as mulheres idosas caem duas vezes mais que os homens. O infortúnio se deve à ocorrência de Sarcopenia - perda de massa muscular - que acomete progressivamente as mulheres depois dos 35 anos. ''Sobretudo as idosas devem investigar as causas que levam à queda e buscar uma intervenção apropriada. É bom lembrar que, nas mulheres um tombo leve pode gerar fraturas em decorrência da osteoporose'', comenta.
Médica geriatra do HC da FMUSP, Juliana Yumi, atesta que o Tai Chi Chuan é a saída mais eficaz para os idosos recuperarem a segurança em se locomover. ''Os benefícios do Tai Chi se encaixam muito às necessidades transcorrentes das alterações fisiológicas e mentais dos idosos, como a perda da agilidade motora e da memória. Os exercícios são seguros, de baixo impacto e trabalham a estabilidade das articulações e a concentração.''

mockup