Agências de viagens de Londrina que agenciam emprego no Japão já estão sentindo os efeitos da guerra do Iraque. Algumas já registram cancelamentos ou adiamentos de 20% das passagens. São vários os motivos apontados pelos proprietários de agências para os cancelamentos: medo de terrorismo, medo de que o Japão se torne um aliado dos Estados Unidos na guerra, e até medo de desemprego, já que a economia do Japão tem base na exportação e a guerra pode atingir a economia mundial. A pneumonia atípica (Síndrome Respiratória Aguda Severa) que atinge países asiáticos, principalmente China e Hong Kong, e que já pode ter chegado ao Brasil, ainda não é motivo de preocupação entre os dekasseguis, segundo os agentes.
''As pessoas estão preocupadas com a guerra, associam com atos terroristas e por isso estão adiando ou cancelando as viagens para o Japão. Há poucas pessoas viajando'', disse Vinícius Ramos Mattozo, que registrou cancelamento de 20% dos embarques na sua agência desde que a guerra começou. Ele explicou que outro motivo para poucas pessoas estarem viajando é que nesta época os estudantes japoneses estão se formando e há reserva de colocações para eles.
Outra proprietária de agência de viagem, Élia Yamaue, disse que os próprios agentes estão dizendo ''não embarque ainda''. ''Conforme o serviço, auto-peças por exemplo, pode haver diminuição da oferta de postos por causa da guerra'', avaliou. Alex Thaizu Nonomura, proprietário de agência, disse que ainda não teve nenhum cancelamento, mas adiamentos de viagens. ''As pessoas estão com mais cautela, existe o medo de ir lá e ficar desempregado'', disse.
Para Marcelo Sawaguchi, agente de viagem, a guerra ainda não afetou a procura para viagens ao Japão. ''Pode afetar, vai depender dos países ligados aos Estados Unidos. Hoje, os dekasseguis estão vendo mais o lado financeiro e a situação aqui no Brasil'', afirmou. O visto de trabalho para dekasseguis é válido para três anos, com prazo de 90 dias para embarque, e a passagem custa em torno de US$ 850 a US$ 950.

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