Medo causa cancelamento de aulas em bairro de Curitiba
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terça-feira, 06 de outubro de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A chacina que vitimou oito pessoas nas vilas União e Icaraí, no bairro Uberaba, em Curitiba, mudou a rotina da comunidade local. Não apenas dos parentes das vítimas, diretamente atingidas pelos tiros que marcaram o local na noite do último sábado, mas de dezenas de alunos e seus familiares, forçados a ficar em casa, consequência do medo.
Esta semana, a primeira escola a cancelar as aulas foi uma estadual. O Colégio Estadual Anibal Khury, localizado a um quilômetro de onde ocorreu um dos assassinatos, não teve aula na segunda-feira, mas, ontem, as aulas voltaram ao normal, inclusive à noite, ao menos, no calendário escolar.
Ontem, a Prefeitura de Curitiba decidiu, junto às famílias, professores e diretores transferir horários e cancelar aulas. As escolas municipais Maria Marli Piovezan, Michel Khury e Rachel Maeder cancelaram as aulas de educação para jovens e adultos, ocorridas no período noturno. São 66 pessoas que deixam de frequentar a escola pelo medo de sair de casa. Embora a polícia continue a negar, a comunidade local teme um suposto toque de recolher imposto pelos traficantes da região. A polícia garante que o toque de recolher é apenas um boato que corre o bairro.
As creches Ana Provile e Teruko Beltrão também localizadas nas vilas em que ocorreram os homicídios no fim de semana remarcaram o horário de saída das aulas. A epidemia de gripe A (H1N1) já havia modificado o calendário escolar e os alunos estavam estudando uma hora a mais, fazendo a reposição, em sala de aula até as 18 horas.
Procurados pela reportagem da FOLHA, representantes da Prefeitura de Curitiba pediram para falar com a polícia sobre essa decisão.
O delegado Hamilton da Paz informou que não havia qualquer novidade sobre a investigação até o fechamento desta edição. Na noite de anteontem, a polícia anunciou a prisão de um suspeito, embora ainda não haja provas concretas contra o detido. Havia um álibi fraco e denúncias contra o suspeito nos números de telefones da polícia.


