Rio – Principal médium do Lar de Frei Luiz, maior centro espírita do Rio, Gilberto Ribeiro Arruda, de 74 anos, foi encontrado morto na manhã de ontem. Tinha as mãos amarradas, mordaça na boca e marcas de tortura e espancamento. Arruda, que realizava cerca de 400 cirurgias espirituais por mês, já havia operado a apresentadora Xuxa, o tenista Gustavo Kuerten, a cantora Elba Ramalho e o ator Carlos Vereza. O corpo estava na casa em que morava, no terreno onde fica o centro, em Jacarepaguá, na zona oeste.
O crime, envolto em mistério, ocorreu em semana em que o Rio viveu casos de intolerância religiosa: no domingo, uma menina de 11 anos, vestida com trajes do candomblé, foi apedrejada por supostos evangélicos; na quinta-feira, o templo Casa do Mago (zona sul) foi atacado a pedradas. O presidente do Lar de Frei Luiz, Wilson Pinto, descartou qualquer conexão do assassinato de Arruda com atritos envolvendo seguidores de outras religiões.
"Não acredito nisso. Também nunca tivemos casos de violência. Ele não tinha problema com as pessoas, era dócil e tranquilo. Não tenho a menor ideia do que aconteceu. As imagens das câmeras já estão com a polícia. Na entrada (do terreno) não tem anotações (de entrada de pessoas estranhas)", disse Pinto. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios.
Arruda era médium desde os 6 anos e trabalhava no Lar de Frei Luiz havia mais de 60, inclusive no tratamento de casos graves, como cânceres, males cardíacos e paralisias. Os frequentadores acreditavam que ele incorporava o espírito do suposto médico alemão Frederich Von Stein, que teria trabalhado no socorro a feridos da Segunda Guerra Mundial.
Fundado há 68 anos e sustentado por doações, o Frei Luiz é centro de peregrinação de espíritas e de pessoas com problemas de saúde. Já passaram por lá os compositores Tom Jobim (1927-1994), Milton Nascimento e Neguinho da Beija-flor.

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