São Paulo, 08 (AE) - As medidas tributárias adotadas pelo governo para fazer frente ao rombo de R$ 2,4 bilhões da Previdência, gerado pela decisão do STF em não permitir a cobrança da contribuição dos inativos, foram consideradas hoje, pelo empresário Antonio Ermírio de Moraes, principalmente, no que diz respeito ao Confins sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, "como um problema sério para as empresas, onerando seus custos. O Cofins pula de 2% para 3% e só atinge a área produtiva. Muita gente vai acabar repassando os custos nos preços e a inflação pode se elevar".
Mas, se Ermírio se mostrou preocupado com a indústria e o aumento do Cofins, o empresário Alvaro Vidigal, ex-presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, foi enfático na sua análise sobre a influência que o pacote fiscal do governo terá sobre o mercado de capitais: "Ele vai afastar o investidor estrangeiro, que poderá optar por Nova York ou outras partes do mundo para investir. Só nós criamos dificuldades. Os outros facilitam". Ele estimou que os recursos que vem de paraísos fiscais chegam a 9% do volume da Bolsa.
Hoje o mercado viveu um dia de expectativa com os principais administradores de fundos analisando o impacto das medidas sobre os investimentos nas bolsas de valores.
Opinião de Cada Um Antonio Ermírio de Moraes, superintendente do Grupo Votorantim: "A elevação da Cofins de 2% para 3% sobre a Contribuição Sobre o Lucro Líquido é pesada. Muitas empresas sofrerão muito para pagá-la. A Cofins é um imposto pesado e que tem poder cumulativo. Isso é prejudicial para todos. Quer dizer que continuamos não fazendo a Reforma Tributária que o País tem que realizar. A briga entre os Estados, municípios e a União, impede uma decisão que ajude a todos. Que ajude ao País. O certo é que em algum período daqui para a frente, muita gente vai procurar repassar seus aumentos de custos para os preços. Isso vai gerar mais inflação, sem dúvida alguma".
Carlos Alberto Bifulco, consultor de empresas - "O pacote tributário, além de afetar as indústrias, vai prejudicar o mercado de capitais, sem dúvida alguma. Sempre que se adotam medidas que busca a taxação, o investidor fica cauteloso e se afasta. É isto que deverá acontecer com o mercado de capitais do País infelizmente. E isso ocorre justamente em um momento que o País mais necessita de recursos estrangeiros".
Manoel Maceira, consultor de investimentos: "O 1% de taxação no day trade, é mais um mecanismo para obrigar o investidor a se cadastrar. É para que se tenha um cadastro dele e aí se comece a analisar seus ganhos e o Imposto de Renda. Quem aplica no day trade é o que investe em indíces na BM&F. A Receita com este 1% quer formar um cadastro dessas pessoas. Quanto ao imposto que vai incidir sobre aplicações que vêem de paraísos fiscais, que chega a quase 10% do volume das bolsas, também é para identificá-los. Na verdade é o chamado "dinheiro estrangeirado", ou seja, recursos pertencentes a brasileiros que vão lá para fora e voltam para ganhar nos altos juros daqui. Quanto a terceira medida que foi taxar aplicações nas bolsas entre 10 a 20% a partir de 2002, isto ainda não foi analisado mais profundamente, pois todos estão julgando que está muito longe. E que pode até ser modificado. No fundo mesmo, a grande medida para arrecadar é o Cofins sobre a Contribuição Sobre o Lucro Líquido. Uma verdadeira cacetada nas empresas. O resto é pano de fundo". Mário Bernardini, diretor da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp): "Entendo que a aplicação da Cofins em 3% sobre o Contribuição Sobre o Lucro Líquido é realmente uma medida que vai tirar mais recursos das empresas, em um momento em que se busca sair da recessão. Muitas nem terão como pagar. Aliás, o governo usando impostos como o PIS/Cofins acaba retirando os recursos de faturamento, não sobre o lucro final. Sabe que muitas empresas estão sem recursos e não têm lucros. Por isso taxa o faturamento, como está ocorrendo agora. Além disto, estes impostos não são partilhados pelos Estados e municípios, acabando apenas nas mãos da União. Isso acaba onerando as empresas sem dúvida alguma". Alvaro Vidigal, ex-presidente da Bolsa de Valores de São Paulo e diretor da Socopa: "Sem dúvida que as medidas vão afetar o mercado de capitais do País. Numa análise objetiva, entendo que no caso do day trade até que a taxação tem sua lógica, servindo para evitar a evasão fiscal. Quanto a taxação de dos investidores em bolsa que virá no futuro, acho que tem sentido e não será fator de preocupação.O problema mesmo fica por conta da taxação dos recursos que vem de paraíso fiscal. Lembro que muitos podem entrar aqui e trocar ações de companhias nacionais por ADRs. É díficil se fiscalizar isto. A questão é que o País ao invés de simplificar a vida do investidor, acaba complicando com estas medidas tributárias. Se o investidor estrangeiro não aplicar aqui, vai para a Tailândia ou qualquer outra parte do mundo. Estimo que este capital hoje seja 9% do volume da bolsa. Foi uma medida ruim mesmo".

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