Medidas são tímidas, afirma especialista
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 17 (AE) - O coronel José Vicente, coordenador das pesquisas de segurança pública do Instituto Fernando Braudel
classificou de "tímidas" as medidas a serem adotadas pelo plano de combate à violência apresentado hoje pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias. "Acredito que pouca coisa vai mudar com a adoção desse plano."Vicente elogiou a iniciativa do ministro. "O governo federal sempre esteve omisso e ausente na questão de segurança pública."
Para ele, o plano falha em não tratar "da segurança das fronteiras, por onde entraram drogas e armas e saem veículos, principalmente carretas roubadas". O coronel entende que o efetivo da Polícia Federal, que é de cerca de 7 mil, deveria ter pelo menos 15 mil policiais. "A cidade de Cruzeiro do Sul, na fronteira com o Peru, é um entreposto de drogas, e existem lá apenas três policiais federais, que realizam mais trabalhos burocráticos."
Vicente lamentou que entre as sugestões não conste a criação de penitenciárias federais de segurança máxima. "Essas prisões seriam construídas no interior de Goiás ou Tocantins e abrigariam marginais perigosos e traficantes, evitando, o que acontece no Rio, que continuem controlando o crime organizado mesmo presos."
Após esclarecer que no momento o plano trata de diretrizes, o professor Sérgio Adorno, sociólogo e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), disse que vê pontos positivos. "Como o desejo do governo federal de formular uma política nacional de combate à violência
principalmente na área federal com o melhor aparelhamento da Polícia Federal."
Adorno achou que não "está claro" como serão feitas as reformas legislativas para o aprimoramento do sistema criminal, para ele um dos pontos fundamentais.


