'Medidas permitirão que País mantenha crescimento', diz FHC
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Rosa Costa 
Letícia, 08 (AE) - Ao contestar as reações provocadas pelas medidas adotadas pelo governo ontem (07), o presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que, apesar de se tratar de uma "questão pequena" no ajuste fiscal, a iniciativa vai permitir que o País mantenha o clima de crescimento e da ampliação da oferta de emprego. Segundo ele, se o governo não reagisse de forma adequada às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que diminuíram as receitas, aí, sim, é que haveria o aumento do desemprego com a contenção da fase de crescimento econômico.
"Porque aí não poderíamos continuar política de reduzir as taxas de juros", explicou. Para o presidente, "não houve exagero" nos procedimentos do governo.
Ele deu as declarações após se reunir com o colega colombiano, Andrés Pastrana. Sobre o possível reflexo das medidas nos índices de popularidade, Fernando Henrique afirmou que um assunto nada tem a ver com o outro "nem de um jeito nem de outro".
"As medidas foram tomadas porque são importantes", frisou. O presidente reiterou que o governo pode suspender as medidas - e manter inalterados os investimentos previstos no Orçamento e a redução prometida na Confins - se surgirem alternativas que permitam ao País obter o superávit capaz de diminuir a dívida interna e, com isso, manter a política de redução das taxas de juros.
Fernando Henrique disse que não cabia a ele, fora do Brasil, comentar a reação dos empresários brasileiros. Mas que precisava chamar a atenção ao fato de que não houve aumento de imposto, mas a manutenção de uma taxa que deveria ser reduzida em 1%. "Nenhum de nós gosta de pagar impostos", reconheceu. "Mas, na circunstância, foi o mínimo possível a fazer." Ele lembrou que o esforço foi dividido: metade vai ser feita com cortes no Orçamento e a outra, com a diminuição de uma contribuição.
Também se referiu ao "planejamento fiscal" que está sendo feito para acabar com a sonegação e a elisão, sobretudo de grandes empresas, de grandes bancos apontados como sonegadores pelo secretário da Receita, Everardo Maciel, no depoimento que prestou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos no Senado. "Se essas medidas derem certo, eu espero que dêem, não se precisará onerar com impostos quem já paga", afirmou.
Fernando Henrique e Pastrana falaram pouco sobre o encontro de cerca de uma hora. O comunicado divulgado pelos dois países ressalta o interesse de ambos de atuar em conjunto para atrair investimentos e de evitar as ingerências externas em questões relacionadas à soberania da Colômbia. A nota destaca o interesse de Brasil e Colômbia em atrair investimentos privados para a construção de uma hidrelétrica que atenda aos dois países.


