Foz do Iguaçu, PR, 22 (AE) - As medidas de combate ao contrabando anunciadas hoje pelos governos brasileiro e paraguaio decretam o fim de uma atividade que, em negócios legalizados ou não, já chegou a movimentar US$ 12 bilhões por ano só em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR). O arrocho ainda maior da Receita Federal sobre os sacoleiros deve acabar de vez com um ciclo econômico que por duas décadas mexeu com toda a economia fronteiriça e manteve no mercado informal milhares de vendedores no País.
Entre as medidas, está a que restringe o Imposto de Importação de US$ 150 aos turistas. A Receita quer diferenciá-los dos sacoleiros, que vão ao Paraguai apenas em busca de mercadorias destinadas ao comércio informal no Brasil. Isso ocorre, por exemplo, com grande parte do contrabando de cigarros, que causa ao País uma perda em torno de R$ 1 bilhão de impostos por ano.
Origem - Ciudad del Este e seu comércio se expandiram rapidamente entre as décadas de 70 e 80, numa época em que o protecionismo brasileiro estendia a reserva de mercado a muitos setores. O contrabando - em especial de equipamentos de informática e eletroeletrônicos - cresceu na mesma proporção que o interesse dos brasileiros por esses artigos importados.
A derrocada do comércio local, no entanto, foi mais rápida que a ascensão. Devido a uma sucessão de contratempos - como as constantes variações cambiais no Brasil e o arrocho na fiscalização dos sacoleiros -, o número de lojas em Ciudad del Este caiu de 5,2 mil, em 1996, para menos de 2,5 mil hoje. Segundo o Banco Central do Paraguai, o setor movimentou US$ 4,3 bilhões em 1995, valor que caiu para US$ 2,4 bilhões em 1998 e se repetiu no ano passado.
De acordo com controle feito pela Prefeitura de Foz do Iguaçu, em 1995 passaram pela cidade 2,4 milhões de sacoleiros com destino ao Paraguai. Hoje, não chegam a 200 mil por ano. A escassez de clientes no comércio de Ciudad del Este já provocou a demissão de pelo menos 5 mil brasileiros que trabalhavam nas lojas.
Empresários e políticos de toda a região manifestaram apoio às medidas dos governos brasileiro e paraguaio de combate ao contrabando. "Ciudad del Este não pode mais ser conhecida internacionalmente como local de atividades ilícitas", explica o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), Charif Hammoud.

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