Medidas de combate à seca serão baseadas em rede científica
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domingo, 21 de março de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 22 (AE) - O governo federal se reúne com cientistas no próximo dia 14 para tomar suas primeiras medidas de combate à seca e miséria do Nordeste com base na rede de dados ambientais formada na região. A ação é inédita e vem sendo desenvolvida por entidades científicas e universidades locais sob a coordenação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Todos as informações levantadas sobre o clima regional estão sendo integradas num único sistema.
O Programa de Monitoramento Climático em Tempo Real Para Região Nordeste (Pró-Clima) é a principal ferramenta da Secretaria de Políticas Regionais, órgão ligado à Presidência da República, para traçar uma nova política de desenvolvimento para o Nordeste brasileiro. A intenção deste projeto é fornecer um mapeamento completo das condições regionais sob aspectos climáticos, meteorológicos e de reserva hídrica.
A coordenação técnica é realizada pelo Inpe, que vem aperfeiçoando a captação de dados ambientais em parceria com as instituições nordestinas. Para isto formou-se uma rede totalmente integrada de laboratórios e núcleos de meteorologia contando com a estrutura já existente nos nove Estados atingidos pela seca. " Quanto mais informações mais será preciso o nosso sistema", comentou o coordenador do Pró-Clima no Inpe, Javier Tomasella.
Atualmente, a captação destes dados é feita pelo satélite meteorológico Meteosat e pelos dois satélites ambientais brasileiros. Na região estão instaladas 20 plataformas de coleta de dados (PCDs) e cerca de mil postos pluviométricos avançados distribuídos em toda região. Entretanto será necessário um reforço nesta área, com a aquisição de outras PCDs e melhoria no sistema telefônico. " Na maioria dos casos a medição da chuva é feita por colaboradores das cidades", explicou Tomasella.
O sistema de monitoramento dará informações hídricas detalhadas sobre as cidades nordestinas, como nível de umidade do solo, condição dos reservatórios e açudes, chuvas entre outras que auxiliarão órgãos como a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que participam do projeto, a orientar as atividades agrícolas e controlar os recursos naturais existentes.
O clima na região semi-árida é marcado pela irregularidade na distribuição das chuvas. Isto, segundo Tomasella, é um dos pontos críticos que necessitam ser bem trabalhados no projeto. As informações meteorológicas e de radiação solar na superfície estarão dispostas sobre um mapa com a configuração do solo nordestino. Desta forma, se terá com precisão a taxa de evaporação da água e tempo de duração deste fenômeno. "O agricultor saberá como a chuva vai ajudar em sua lavoura", observou o cientista.


