Medida não resolve problema da exclusão
Curitiba - O sistema de cotas para negros e estudantes de escolas públicas, aprovado pelo Conselho Universitário da Universidade Federal do Paraná (UFPR), não deve resolver o problema de exclusão racial e social. A opinião é do superintendente de Ensino de um dos maiores grupos do setor educacional do Paraná, Renato Ribas Vaz, que acredita que o número de alunos que se habilitará as cotas será pequeno. ''O sistema de cotas influenciará nos cursos com menor concorrência, pois tradicionalmente os alunos de escolas públicas e de cor são pouco aprovados em cursos muitos concorridos'', opinou.
Vaz lembrou que em cursos menos disputados, como os da área de humanas, um levantamento da UFPR já apontou que mais de 50% das vagas são ocupadas por alunos que tiveram, pelo menos, parte de sua formação em escola pública.
Vaz não acredita na possibilidade do sistema de cotas acirrar a concorrência do vestibular da UFPR, ao se considerar que, em tese, 40% das vagas seriam ocupadas por alunos negros ou de escola pública. Ele pondera que os alunos com o perfil de excluídos terão que enfrentar as mesmas dificuldades dos demais candidatos, sendo classificados nas duas fases do vestibular, para depois se habilitar às vagas destinadas a eles. ''Vão apenas oficializar uma coisa que, na prática, já acontece'', declarou.
Como educador, Vaz defende melhorias do ensino básico (fundamental e médio) nas escolas públicas como forma de melhorar o acesso desses alunos no ensino superior.
O reitor da UFPR admitiu que pode não haver candidatos para suprir as cotas, mas acredita que é uma hipótese ''pouco provável''. Disse, ainda, que a universidade não poderia aceitar alunos despreparados e que nada impede o sistema de preenchimento das vagas ser revisto. O aprimoramento anual do projeto, segundo ele, está previsto na resolução.(A.L.)





