Medida do governo esvazia Senad
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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 09 (AE) - O fortalecimento da Polícia Federal no combate ao crime organizado no País e a criação do Núcleo Especial contra a Impunidade, dentro do Ministério da Justiça, esvaziou a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), criada no ano passado pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso. A partir de agora, a função da Senad será apenas cuidar das campanhas de prevenção contra as drogas.
Uma das intenções de Cardoso era transferir para a Senad, hoje sob o comando do juiz aposentado Walter Maierovitch, toda a coordenação da política antidrogas do governo. Este foi um dos motivos do atrito entre o Palácio do Planalto e o então ministro da Justiça, Renan Calheiros, que deixou o cargo, mas nunca aceitou a interferência da então Casa Militar na PF. Maierovitch não participou da reunião de hoje no Palácio do Planalto entre os integrantes da CPI do Narcotráfico e o presidente Fernando Henrique Cardoso.
"A Senad está encarregada de fazer a precaução e educação contra o uso de drogas", afirmou o ministro da Justiça, José Carlos Dias. "A repressão é com a polícia e com o Poder Judiciário, e essa é a nossa tarefa", acrescentou o ministro que, hoje de manhã, reuniu-se com Cardoso. Dias definiu bem o papel de cada uma das três instituições, logo após a reunião com do presidente com os integrantes da CPI do Narcotráfico.
As desavenças entre a Casa Militar da Presidência e o então ministro Renan ficaram mais acentuadas quando o Planalto indicou o nome do delegado João Batista Campelo - acusado de ter patrocinado tortura na década de 70 - para a direção-geral da PF
em substituição a Vicente Chelotti e contra a vontade de Renan, que queria para o posto o delegado Wantuir Jacine. O episódio causou a demissão de Renan, mas fortaleceu a própria instituição
que tem hoje Jacine como vice do atual diretor, Agílio Monteiro Filho.
Em todas as conversas, Dias mantém a mesma opinião sobre a Senad e reforça a confiança na PF. Ele pretende aumentar o número de policiais, conseguiu recursos para equipar a instituição e criou um núcleo de combate ao crime organizado.
O núcleo, segundo Dias, ainda não tem data para começar a trabalhar, mas estará completo até o fim da semana. Hoje, foram indicados os delegados José Roberto Benedito Pereira e Rodney Miranda para compor o núcleo. "Não vamos jogar para a arquibancada", afirmou Dias. "Vamos trabalhar com a bola no chão, rumo ao gol", acrescentou o ministro, referindo-se ao grupo, que só irá atuar em ocasiões especiais e em conjunto com a PF.


