Praticamente todos os dias, farmácias de manipulação de Londrina enfrentam o mesmo problema: explicar aos clientes que a manipulação de 20 substâncias foram proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A suspensão ocorreu há um mês por conta da morte de um menino de 12 anos, relacionada à clonidina, uma das substâncias suspensas. A morte ocorreu em agosto, em Brasília, e a análise preliminar concluiu que houve erro na manipulação do remédio na farmácia.
A medida tem obrigado pacientes a recorrer a produtos industrializados, mas segundo as farmácias, o cliente perde a principal vantagem do produto manipulado: o remédio personalizado, ou seja, com a dose específica para cada caso e muitas vezes com medicamentos associados. É o caso, por exemplo, da substância carbamazepina, anticonvulsionante e antiepilético, segundo a farmacêutica Miriam Hosokawa.
Ela explicou que o remédio industrializado é vendido em doses de 200 mg e 400 mg, mas alguns pacientes precisam de doses ''quebradas'' de 100 mg ou 250 mg, por exemplo. ''Como o paciente vai conseguir quebrar exatamente no meio? E se o medicamento vem em cápsula, como vai cortar?'', questionou. A farmácia em que ela trabalha, informou, teve que elaborar uma carta explicando a médicos e pacientes da proibição da Anvisa. ''Tivemos que explicar que não é só a nossa farmácia que não está manipulando essas substâncias'', disse.
Outra farmacêutica de Londrina, Lucimara Dal Col Bertoli, questionou a liberação da manipulação na forma líquida de algumas substâncias. ''A fórmula líquida é mais instável'', argumentou. Segundo ela, a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), que representa farmácias de manipulação, está negociando com a Anvisa a revisão da portaria.

mockup