Quem não tem dinheiro para pagar consulta não fica mais sem atendimento médico no Rio de Janeiro. A organização não-governamental (ONG) Médicos Solidários, que surgiu a partir do grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF), montou uma rede com mais de 150 profissionais de 20 especialidades que atendem a população carente gratuitamente em seus consultórios. A qualidade do atendimento, eles garantem, é a mesma dispensada àqueles que pagam ou que pertencem a planos de saúde.
A ONG foi fundada oficialmente há duas semanas, mas o projeto vem sendo executado pelos voluntários associados à MSF - organização internacional espalhada por 80 países que oferece ajuda a vítimas de guerras, epidemias e exclusão médico-social, desde 1998.
Consultórios espalhados por toda a cidade abrem as portas para pacientes carentes - que são vinculados a 43 instituições sociais, como associações de moradores, creches e entidades filantrópicas.
Os que procuram o serviço são, normalmente, desempregados, trabalhadores informais ou de baixa remuneração. Somente no mês de julho, foram 1.100 consultas. ‘‘Essas pessoas são mal atendidas nos postos de saúde públicos. Conosco, recebem um tratamento de qualidade’’, garante o homeopata Henrique Peixoto, gerente do projeto, que é financiado pela W.K Kellogg Foundation.
Cada médico estipula quanto tempo de sua agenda será dedicado ao trabalho voluntário.
O contato entre o paciente e o médico é feito através das instituições, que entram em contato com a central de atendimento da ONG.
‘‘Buscamos sempre o profissional mais próximo da casa do paciente e procuramos encaixar a consulta de acordo com a disponibilidade da pessoa’’, explicou o homeopata Henrique Peixoto. Os exames solicitados são realizados por laboratórios com os quais o grupo tem parceria.
O gastroenterologista José Carlos Barroso, um dos fundadores da Médicos Solidários, atende sem cobrar a duas pessoas, pelo menos, por dia. Barroso cobra R$ 120,00 por consulta e garante que não faz distinção entre os pagantes e os carentes.
‘‘Estou fazendo a minha parte para melhorar a vida dessas pessoas. E me sinto muito bem’’, afirma o médico.
A ONG pretende ampliar a rede incluindo profissionais de saúde de outras áreas, como psicólogos, fisioterapeutas e dentistas.

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