São Paulo, 13 (AE) - Médicos brasileiros estão usando novos aparelhos de laser para tratar pessoas que roncam. O problema, que atinge mais os homens, pode ser um alerta de que a pessoa tem dificuldades para respirar. Pode ser ainda um primeiro estágio de apnéia, doença caracterizada pela parada momentânea da respiração durante o sono. As técnicas serão apresentadas durante o 2.º Congresso da Sociedade Brasileira de Laser, que começa sexta-feira em São Paulo.
Quem sofre de apnéia tem risco dez vezes maior de sofrer enfarte. "O ronco é o primeiro passo para a apnéia", explica o otorrinolaringologista José Antonio Pinto. A parada respiratória provocada pela apnéia dura, em média, dez segundos. Uma pessoa com apnéia grave pode ter até 40 paradas por noite. A falta de ar altera a circulação, podendo provocar arritmias cardíacas e aumentar o risco de enfartes. Há ainda um aumento no risco de derrames, uma vez que a falta de ar provoca constrição dos vasos. O laser é usado para desobstruir as vias respiratórias, evitando a parada respiratória. Segundo Pinto, a aplicação do laser pode ser feita no próprio consultório médico e com anestesia local. Introduzido há quatro anos, pacientes que passaram pelo procedimento reclamavam de dores após o processo. "Agora, temos novos aparelhos de laser - de dióxido de carbono e de di-iodo -, que permitem que o paciente tenha dores bem menores e por menos tempo", diz Antonio Pinto.
O laser começou a ser usado na oftalmologia, nos anos 80
e logo foi introduzido em outras áreas da medicina, explica Mário Grinblat, presidente da sociedade. Ele informa que, hoje, esse aparelho já é usado na dermatologia, odontologia e ginecologia. "O uso do laser está crescendo", diz. "Há casos em que o paciente já pede o laser antes mesmo de o médico recomendar". (Gabriela Scheinberg)

mockup