Quase 200 ''stents revestidos'', aparelho que está sendo investigado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o órgão americano de fiscalização FDA, sob suspeita de ter causado 60 mortes nos Estados Unidos e outros países, foram aplicados em pacientes de Londrina. Mas, cardiologistas e hemodinamicistas da cidade esclarecem que não há motivo para preocupação ou alarde.
Na última semana, a Anvisa começou a investigar relatos de possíveis mortes decorrentes do uso do ''stent revestido''. A motivação veio do FDA, órgão americano que fiscaliza drogas e alimentos, e que informou que pelo menos 60 pacientes haviam morrido depois que coágulos se formaram em volta do dispositivo, entupindo a artéria.
O ''stent'' é um dispositivo metálico colocado por intervenção cirúrgia na coronária e dilata a artéria para evitar que ela volte a ficar obstruída. O ''stent revestido'' é um equipamento de última geração, o Cypher, fabricado pela Johnson & Johnson. Ele é capaz de liberar a droga rapamicina para impedir que ocorra uma espécie de ''cicatriz'' ou ''quelóide'', o que poderia provocar novo entupimento da artéria. Esse risco caiu de 20% para 5% com o novo equipamento.
A estimativa é que o Cypher tenha sido usado em quase 260 mil pacientes nos EUA e em 180 mil em outros países. No Brasil, a estimativa é que mais de mil pacientes estejam usando o dispositivo desde maio de 2002, quase 200 aplicados em Londrina, mas não necessariamente em pacientes da cidade. Segundo o hemodinamicista Douglas Grion, a cidade tem ''uma cardiologia de ponta'' que motiva a procura por pacientes de todo o Paraná e outros Estados.
Apesar da própria FDA lembrar que ainda não está provado que as mortes foram causadas pelo Cypher, o responsável pelo setor de hemodinâmica do Hospital do Coração de Londrina, André Labrunie, informou que alguns pacientes se sentiram ''inseguros''. ''Alguns pacientes, mesmo que não portadores desse modelo, nos procuraram um pouco assustados. Mas, não há motivo para alarde. O que há é uma notificação de problema, mas ainda não há motivo para tomar providências'', afirmou.
Ontem, a assessoria de imprensa da Johnson & Johnson informou que a empresa não irá se manifestar sobre o assunto.

mockup