Médicos terão canal exclusivo em agosto
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Evandro Éboli Especial para a AE 
Os cerca de 218 mil médicos de todo País vão contar, a partir de agosto, com um canal exclusivo de TV que irá transmitir desde debates sobre temas como a ética no exercício da profissão até novas técnicas cirúrgicas, ao vivo, que estejam sendo implementadas em qualquer hospital do Brasil.
O Canal Médico começa a funcionar no dia 4, e os primeiros programas já estão gravados. A iniciativa é uma parceria do Conselho Federal de Medicina (CFM) com a empresa Tecsat, de São José dos Campos (SP), detentora dessa tecnologia de transmissão.
Segundo o presidente do CFM, Waldir Mesquita, o propósito desse canal é suprir a carência de capacitação e reciclagem dos médicos. O recente Perfil do Médico Brasileiro, uma pesquisa nacional, revelou que 98% desses profissionais alegaram não ter tempo para se aperfeiçoarem nas suas especialidades.
O levantamento mostrou que a residência médica é, para muitos, a única chance de o médico se reciclar, disse Mesquita. A residência é o período obrigatório em que o recém-formado se especializa numa determinada área, antes de começar a trabalhar na profissão.
O canal é parte do programa Medicina Brasil, um conjunto de projetos de atualização continuada dos médicos do País. A direção do CFM espera distribuir 100 mil antenas parabólicas - necessárias para a captação do sinal do canal médico - até o final do ano. Hospitais, faculdades de medicina e clínicas, entre outras instituições, vão poder adquirir o kit, que vai permitir acessá-las a esse canal executivo. O profissional vai receber a antena e pagará uma taxa mensal de R$ 10, 00 referente a assinatura.
Os oito primeiros programas - com 45 minutos a uma hora de duração - já foram gravados, sob a coordenação do Conselho Federal de Medicina. Parto normal, atendimento pré-hospitalar dos usuários em urgência e emergência e neonatal são os temas escolhidos para a abertura da programação. Com o canal, o médico não terá mais a desculpa de que não há tempo para se atualizar na sua área, afirmou Waldir Mesquita, que acredita ser esta a maior realização de sua gestão.
A partir do ano que vem, o canal já vai estar transmitindo cirurgias ao vivo, por meio de um código que o assinante terá para acessar o programa. O propósito deste dispositivo é evitar que outras pessoas, leigas na área médica, assistam sem querer a desagradável imagem de uma operação. Como sangra muito, a cirurgia é um impacto para o leigo, afirmou Mesquita.
O perfil do médico brasileiro revelou também que para alcançarem uma renda mensal de R$ 1,4 mil, 74% dos médicos precisam de três empregos, o que reduz seu tempo para requalificação profissional. Mas com o canal, eles podem se reciclar sem sair de casa, explicou Mesquita.
Outros temas como a ética na profissão, políticas de saúde, administração hospitalar e hábitos de higiene vão estar na grade dessa programação inicial do Canal Médico. O anúncio do programa será na quinta-feira, na sede do CFM, em Brasília, com a presença de colégios médicos de vários países da América Latina. O conselho não terá gasto nessa parceria. Vamos entrar com o peso do nome da instituição, o que dá credibilidade ao programa, afirmou o presidente do CFM.


