Médicos tentam descobrir origem da contaminação por mercúrio no AC
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 28 (AE) - No Acre, há dois anos, as autoridades sanitárias tentam descobrir por que centenas de moradores estão com alta contaminação por mercúrio. Até agora, nenhuma investigação científica determinou as causas e até mesmo um levantamento feito pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará - especialista nesse tipo de trabalho -, não foi conclusivo.
Desde 1997, começaram a aparecer os casos de contaminação por mercúrio. O que mais espantou os médicos sanitaristas na ocasião foi que a população atingida era de classe média alta e não consumia peixes - uma provável fonte de contaminação - com regularidade.
"Chegamos a achar que o mercúrio vinha dos produtos usados nas plantações, mas não era", afirma o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Carlos Beiruth, também contaminado.
O problema, segundo as autoridades sanitárias locais, não atingiu diretamente a população de renda mais baixa, onde o peixe é uma fonte comum de alimentação. "Atingiu mais a classe média", explicou Beiruth. Um exemplo é que, além dele, juízes, promotores, empresários e até mesmo a senadora Marina Silva (PT-AC) foram contaminados.
Marina chegou a ser internada em uma clínica no Chile, uma vez que os índices de mercúrio no organismo dela eram considerados altíssimos. A senadora ficou mais de 15 dias em tratamento médico.
Conhecida também por mal de Minamata - uma referência à contaminação por mercúrio na baía do mesmo nome no Japão -, a doença ainda não tem causas determinadas. A primeira suspeita era a contaminação pelo peixe, uma vez que existiam diversos garimpos em Rondônia, onde o mineral era usado para a lavagem do ouro. Os exames feitos no Instituto Evandro Chagas descartaram essa possibilidade.
Segundo um estudo feito pelo engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as queimadas podem ser uma das causas responsáveis pela contaminação. "Temos na Amazônia grandes queimadas que fazem com que o mercúrio, a quase 300 graus, passe à forma de vapor e seja carregado pelo ar", diz um estudo de Pinheiro. Ele explica que o mineral, nesse estado, pode voltar ao solo e aos rios com a chuva.
Mas, nem mesmo as autoridades sanitárias do Acre sabem as causas e muito menos quantos moradores sofreram alto índice de contaminação. Em 1998, uma pesquisa feita num grupo 21 integrantes da classe média mostrou que 11 deles estavam com níveis elevados do mineral no organismo. Entre 28 moradores de baixa renda, a contaminação tinha atingido apenas cinco.


