Médicos têm autorização para transplantar ovários
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Dois médicos do Paraná, ligados a grupos de pesquisa da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da Universidade Federal de São Paulo (UFSP), são os primeiros do Brasil a receber autorização para realizar o transplante de ovários congelados em humanas.
Especialistas em reprodução humana, os ginecologistas Carlos Gilberto Almodin, de Maringá, e Álvaro Ceschin, de Curitiba, receberam autorização do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Saúde, e planejam fazer os transplantes daqui a um ano. Os ovários são retirados de mulheres que têm certos tipos de câncer e que, por causa da quimio e radioterapia, ficam estéreis. Com o transplante, elas podem ter uma chance de engravidar.
A técnica de congelamento de ovários já vem sendo feita há vários anos no mundo todo, porém ganhou notoriedade depois que uma mulher da Bélgica teve o primeiro bebê do mundo fruto de um transplante. Contudo, Almodin que, junto com outros médicos paranaenses, é autor da pesquisa que implementou a técnica definitiva do congelamento de ovários no mundo (congelá-lo em fragmentos e não inteiro), diz que pesquisadores do mundo todo ainda questionam se a gravidez da mãe belga foi mesmo fruto do transplante ou do segundo ovário, que não havia sido retirado. ''Ainda não há nada que comprove a eficácia do transplantes entre os pesquisadores do mundo todo. O implante ainda tem que ser estudado melhor'', afirmou.
Com a autorização do Ministério da Saúde, os dois médicos começaram esse ano a congelar ovários de mulheres. Até então, eles tinham feito pesquisas em ratos, coelhos e em ovelhas. ''Com o teste em mulheres, entramos na fase três da pesquisa. Estamos estudando a possibilidade, inclusive, de reimplantar o órgão congelado no segundo ovário, que fica na mulher. Assim, poderia ser possível uma gravidez normal, sem precisar de fertilização em laboratório'', explicou Ceschin. Contudo, os médicos alertam que não se pode gerar nenhuma expectativa nas mulheres, uma vez que o método está apenas em teste e ainda não há nada que comprove realmente sua eficácia.
Ao reimplantar o ovário, apenas cerca de 50% do órgão sobrevive no corpo da mulher, explicou Almodin. E é justamente nessa fase que a pesquisa paranaense está: tentando quantificar a perda do órgão após transplantado para depois tentar diminuí-la. As voluntárias interessadas em participar do estudo precisam arcar com despesas do material usado para a retirada do órgão e a manutenção do ovário congelado. O que gera um custo de R$ 1 mil e mais R$ 30,00 por mês para conservação.


