São Paulo, 26 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, foi liberado da sua última sessão de quimioterapia, prevista para ser realizada no próximo fim de semana. Em nota oficial divulgada hoje, a equipe médica do governador anunciou o fim antecipado do tratamento para prevenir o eventual reaparecimento do câncer em seu organismo. "Foram considerados os benefícios obtidos com as três sessões já ministradas, com intervalo de 21 dias entre cada uma delas, e os riscos de que efeitos colaterais pudessem vir a prejudicar a excelente recuperação do governador", informa a nota.
"Ele demorou mais para recuperar-se da terceira sessão, do que das anteriores, então, achamos melhor suspender a última", disse o infectologista David Uip, médico particular de Covas. "Além de matar células cancerígenas, a quimioterapia também mata células boas; provoca uma redução, por exemplo, de glóbulos vermelhos e glóbulos brancos, baixando as defesas do organismo, e uma nova sessão agravaria riscos indesejáveis como de anemia e infecções."
Segundo a equipe, os exames realizados desde 14 de dezembro - quando Covas teve extraída a bexiga, comprometida por um tumor maligno - não apontaram novos sinais da doença. Seu estado de saúde é considerado "muito bom", tanto que novos exames ou avaliações serão feitos apenas no prazo de 90 a 120 dias. A partir daí, ele entra na rotina de quem tem ou teve câncer: terá de ser acompanhado, no mínimo, pelos próximos cinco anos.
A primeira sessão de quimioterapia (por meio da aplicação intravenosa de um coquetel baseado nas drogas Ifosfamida, Taxol e Cisplatina) ocorreu no fim de fevereiro. Seria no sábado de carnaval, mas foi adiada porque Covas teve infecção urinária. Curada a infecção, ele passou a enfrentar os efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea, cansaço e queda de cabelos. "O tratamento não conseguiu acabar com todos os seus cabelos; sobraram os brancos", brincou Uip. O cabelo voltará a crescer, mas pode demorar meses ou anos. "Esse prazo é imprevisível."
O governador recebeu a notícia na noite de domingo. "Se ele bebesse, comemoraria com champanhe", contou o infectologista. Hoje, Covas disse estar muito satisfeito com o fim do tratamento. A aplicação de quimioterapia, decidida depois de uma consulta a especialistas americanos, foi coordenada pelo oncologista Ricardo Brentani. Além de Uip, participam da equipe médica o urologista Sami Arap e os cardiologistas Giovani Bellotti e Whady Ueb.

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