Médicos se preparam para emergências com crianças
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quinta-feira, 09 de dezembro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O número de acidentes com crianças nas estradas paranaenses vem chamando a atenção da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De janeiro a abril deste ano, foram 135 ocorrências envolvendo menores de 12 anos, sete crianças morreram. A maior parte dos acidentes graves com crianças é decorrente de traumas e reações do organismo infantil diferentes do adulto na mesma situação. Para capacitar profissionais a agir nessa situação, médicos
do Hospital Pequeno Príncipe de Curitiba deram um curso ontem de emergências pediátricas.
Trinta médicos e 32 enfermeiros do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Curitiba e São José dos Pinhais, na região metropolitana, que funciona há três meses, participaram do curso de capacitação para esse tipo de atendimento.
O pediatra Mário Marcondes Marques Júnior exemplificou uma das principais diferenças entre crianças e adultos na hora do trauma. ''A criança corre o risco da falta de oxigenação. Já o risco maior no adulto é uma arritmia cardíaca. Então, na criança o mais importante muitas vezes é a entubação para liberar as vias respiratórias enquanto no adulto é o uso do desfibrilador'', explicou. Os treinamentos práticos foram feitos em bonecos e coxas de galinha, que é mais apropriada para o treinamento de punção intra-óssea (técnica utilizada para repor líquidos no organismo).
A clínica geral Andrea Cristina Chromiec, que atende há três meses no Samu e participou do curso, disse que apesar de ter experiência em trauma, nunca tinha atendido crianças antes do Samu. ''É uma parte importante da capacitação'', comentou. E desde que ela passou a trabalhar no serviço de emergência já se deparou com três casos de crianças feridas.
A médica pediatra Marjorie Feliz, que trabalha no setor de regulação do Samu (onde se atende as ligações e se faz uma triagem dos casos que são realmente necessários o envio de uma ambulância), também considerou importante a reciclagem, mesmo não estando nas ruas. ''Mesmo por telefone a gente tem que fazer um pré-diagnóstico. A situação acaba parecida.''
A organizadora do treinamento do Samu, Beatriz Monteiro, diz que alguns cuidados simples podem evitar traumas mais graves nos acidentes de trânsito. Em primeiro lugar a recomendação é que crianças sempre andem no banco traseiro. Quanto ao cinto de segurança, Beatriz ressalta que o modelo de três pontas, usado nos carros hoje, não é adaptado para crianças. Então, em caso de acidentes mais violentos, quando as pessoas são jogadas para frente, o cinto, por ser mais alto que a criança, pode enforcá-la. O ideal seria o uso de cadeiras especiais, que existem para crianças maiores, ou o uso de almofadas para deixá-las da altura do cinto.


