Médicos são presos acusados de concussão
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segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O casal de médicos de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, Eldo Ern e Cristina Cerniak, acusados pelo Ministério Público de usar o remédio abortivo Cytotec para adiantar os partos de suas pacientes e também de praticar dupla cobrança pelos procedimentos, foram presos ontem pela manhã pelo crime de concussão (usar o cargo de funcionário público para exigir alguma coisa indevidamente).
Segundo o MP de São José, os médicos realizavam os partos de suas pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também cobravam à parte pelo atendimento, o que motivou o pedido de prisão preventiva, que foi expedido pelo juíza da 1 Vara Criminal de São José, Luciani Regina Martins de Paula.
De acordo com o despacho da juíza, os médicos cometeram crime de concussão, exigindo das pacientes pagamento além do valor recebido pelo SUS. O advogado do casal, Rafael Justos de Brito, afirmou serem ilegítimas as acusações de dupla cobrança e garantiu que protocolaria ainda ontem um pedido de habeas corpus para que Ern e Cristina fosse liberados.
''Para dizer que foi cobrado duas vezes é preciso apresentar a confirmação das duas cobranças. Então quero que alguém comprove o pagamento do SUS nos casos citados no processo. Foram todos cobrados só particular'', argumentou o advogado.
Quem pediu a prisão preventiva do casal de médicos foi a delegada de São José dos Pinhais, Ana Cláudia Machado. Ela não foi encontrada ontem pela reportagem da Folha para comentar sobre o caso. Ern e Cristina estão detidos no Centro de Triagem, em Curitiba. A delegacia de São José não possui carceragem já que fica no interior do Aeroporto Internacional Afonso Pena.
O casal de médicos também é alvo de uma sindicância pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) que está apurando o uso do Cytotec. A assessoria do CRM disse que ainda não tem nenhum novidade sobre o processo.
As investigações do MP sobre as práticas dos dois médicos começaram no fim de agosto justamente pelas suspeitas de dupla cobrança do Hospital e Maternidade São José dos Pinhais, onde os dois trabalhavam. Durante o processo investigatório, o MP descobriu mais de 400 requisições de Cytotec feitas por Ern e Cristina. Em todas elas constava o nome da paciente, porém no prontuário médico não estava a informação do uso do medicamento. Diversas mães depuseram no MP e na delegacia de São José e revelaram não saber que os médicos haviam feito a aplicação do medicamento nelas. Ern e Cristina já estavam proibidos pela Justiça de entrar no hospital.


