Rio- O delegado Milton Olivier, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), vai pedir a quebra dos sigilos telefônico, fiscal e financeiro de diretores de cinco hospitais particulares, médicos e funcionários de empresas de planos de saúde do Rio. Eles são acusados de integrar uma quadrilha que reaproveita produtos cirúrgicos descartáveis, frauda o pedido de material feito aos planos de saúde, recebendo mais do que realmente é utilizado nas operações, além de superfaturar o preço dos produtos.
O delegado investiga a quadrilha há três meses, depois de ter recebido denúncia de uma médica, que teve um parente operado com material reutilizado. ''Essa pessoa quase morreu ao pegar uma infecção. A médica preparou um dossiê e nos entregou. Já há cerca de 300 pessoas e 30 hospitais citados no inquérito'', informou Olivier.
O delegado estaria sofrendo ameaças de morte. As ligações teriam partido de dois telefones públicos no centro do Rio. O delegado entregou o inquérito na última quarta-feira à Promotoria de Investigação Penal, com pedido para que o processo corra em segredo de Justiça.
Depois do início das investigações, Olivier foi procurado por parentes de outras duas vítimas de infecções, que dizem ter sido operadas com material reutilizado.
O delegado explicou que os planos de saúde são os principais lesados pelos golpistas. Numa das modalidades de atuação da quadrilha, hospitais exigem que as seguradoras comprem os materiais cirúrgicos com eles e cobram ágio de 5% a 35%. Essas instituições já têm os produtos estocados, que foram adquiridos com descontos de até 20%.
Em outra fraude, médicos fariam pedidos acima do necessário para determinada cirurgia. O que não era utilizado, era repassado à fornecedora e os envolvidos recebiam metade do valor do produto. A quadrilha também cobra do plano de saúde pelo material, quando na verdade é usado na cirurgia um produto reaproveitado.
Há indícios de que as fraudes começaram em cirurgias urológicas, em que teriam sido reutilizados fio de guia hidrofílico (introduzido na uretra), extrator de cálculo e dilatador uretral. Também foram fraudadas cirurgias ortopédicas e cardiológicas.
Olivier disse que os médicos citados durante inquérito negaram a participação na fraude. ''Eles dizem que não participam das compras, mas os pedidos em quantidade acima do necessário saíram em nome desses médicos. A quebra do sigilo financeiro vai mostrar a participação deles ou não'', disse o delegado.

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