Médicos residentes param por tempo indeterminado
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Agência Estado 
Depois de uma paralisação de apenas um dia, em 24 de setembro, os médicos residentes retomaram a greve, desta vez por tempo indeterminado. O objetivo é "chamar atenção do governo para o sucateamento das condições de atendimento ao público". A Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) estima que 70% da categoria participe da paralisação, em todo o Brasil. Os demais seguirão trabalhando, mas apenas para casos de urgência e emergência que chegarem ao Sistema Único de Saúde (SUS). "Não queremos desassistir a população, mas precisamos brigar por melhorias", afirma o presidente da ANMR, Arthur Danila.
De acordo com a Associação Médica do Paraná (AMP), a adesão foi baixa no Estado no primeiro dia. A entidade que indica médicos residentes para 15 dos principais hospitais do Paraná, incluindo os hospitais do Coração e Evangélico, de Londrina, informou que não houve registros de paralisações nesses estabelecimentos.
Os médicos reivindicam um posicionamento do governo sobre as vagas ociosas em programas de residência médica. Segundo dados do Ministério da Educação obtidos pela reportagem em outubro, 46% dos postos de residência estão desocupados, levando em conta programas das dez principais especialidades médicas. Cirurgia geral, dermatologia, cardiologia, ortopedia, ginecologia e obstetrícia, urologia, pediatria, medicina da família e comunidade, cancerologia e radiologia somaram 24.254 vagas criadas entre 2014 e 105. No entanto, pouco mais de 13 mil foram preenchidas. O MEC não forneceu dados atualizados até as 22 horas da última terça.
A ANMR critica a ampliação de vagas pelo governo, ao passo que programas já existentes não receberiam investimentos para solucionar "tamanha ociosidade". "São programas que já têm bolsas de residência empenhadas, capacidade estrutural - em tese - para receber um novo aluno e um quadro estabelecido de professores. O que está acontecendo para essas vagas não serem preenchidas? Criam-se novas só para engordar a estatística, sob um viés eleitoreiro", opina Danila.
A paralisação promete continuar até que se cumpra uma série de reivindicações. Entre elas, a avaliação dos programas por especialistas adequados, a interrupção de abertura de novas vagas, o levantamento financeiro das instituições e a correção inflacionária do valor da bolsa, que não receberia reajuste desde 2010. O MEC garantiu, a partir de março de 2016, aumento de 11,9%.
O ministério afirmou que vem discutindo com a ANMR propostas de reajuste e outras demandas. Em reuniões, comprometeu-se em possibilitar que as associações estaduais de médicos residentes acompanhem visitas de supervisão dos programas e em elaborar, em no máximo seis meses, uma resolução específica que garanta diretrizes operacionais para a preceptoria.
O MEC também salientou ter apresentado, no Congresso Nacional, proposta de alteração no marco legal para atender questões previdenciárias dos médicos residentes, estabelecendo pagamento de Seguro Acidente de Trabalho (SAT) e acabando com a carência para auxílio maternidade e paternidade. (Colaborou Celso Felizardo/Reportagem Local)


